Home / Politica / PT pede mobilização contra “fascismo”, ignora Flávio e mira Tarcísio no horizonte de 2026

PT pede mobilização contra “fascismo”, ignora Flávio e mira Tarcísio no horizonte de 2026

Resolução do partido alinha discurso pré-eleitoral, vê ameaça da extrema direita e reforça necessidade de fortalecimento interno diante do cenário político.

Em um momento em que a política volta a pulsar com força nos bastidores e nas ruas, o PT decidiu afinar o tom e endurecer o discurso. Em resolução aprovada por seu alto comando, o partido convoca a militância para uma ampla mobilização contra o bolsonarismo, classificado como expressão do fascismo e da extrema direita. O texto, carregado de simbolismo e estratégia, já aponta para os embates que se desenham no caminho até 2026.

Na versão final do documento, a legenda opta por ignorar a possível candidatura de Flávio Bolsonaro e direciona seu principal foco ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tratado como o principal expoente da oposição ao projeto petista no país.

Tarcísio é apontado como símbolo do projeto oposicionista

“O Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se destaca como principal interlocutor do projeto neoliberal e privatista, transformando São Paulo em um laboratório de redução do papel do Estado, de entrega de bens públicos e de enfrentamento ideológico ao governo federal”, afirma um dos trechos mais duros da resolução.

Cenário internacional e nacional entram no radar do partido

O documento, que se estende por 30 tópicos, trata dos desafios do início do período pré-eleitoral e cita tanto o cenário externo quanto o interno como fatores determinantes para a necessidade de “fortalecimento orgânico do PT”. Ao mencionar o avanço de setores neofascistas no mundo, impulsionados por lideranças como Donald Trump, o partido afirma que reflexos dessa conjuntura também se fazem sentir no Brasil.

Prisões e crise do bolsonarismo ganham destaque

A resolução também aborda de forma direta os desdobramentos envolvendo Jair Bolsonaro. “A prisão de Jair Bolsonaro e de quatro generais por tentativa de golpe de Estado e planejamento de assassinato do presidente e vice-presidente da República é um fato inédito na história do Brasil e uma importante vitória da democracia”, diz o texto. Em seguida, o partido avalia que esse episódio expõe a crise moral e política do bolsonarismo, ainda que o grupo permaneça articulado.

Críticas ao Centrão e às emendas parlamentares

Outro ponto sensível tratado no documento é a relação com o Legislativo. A resolução aponta uma crise política alimentada por setores de centro e faz duras críticas ao Centrão, especialmente pelo uso das emendas parlamentares como instrumento de pressão contra o governo federal.

Segurança pública, feminicídios e transformação digital

Entre as bandeiras que o partido defende retomar com mais força estão a segurança pública, apontada como uma das maiores demandas sociais, a transformação digital e o enfrentamento ao crescimento dos casos de feminicídio no Brasil, tema tratado como prioridade dentro da agenda social.

Mobilização pelo 8 de Janeiro

Na reta final do texto, o PT reforça a importância da mobilização pelo 8 de Janeiro, data que classifica como “marco histórico da vitória da democracia brasileira sobre o golpismo”. Para a sigla, é essencial que atos sejam realizados em todo o país. “O povo brasileiro não tolera mais golpes e ataques à soberania popular”, afirma a resolução.

Mais do que um documento interno, a resolução revela o tom de uma disputa que já começou, mesmo antes da largada oficial da corrida eleitoral. Em meio a narrativas, memórias recentes e feridas ainda abertas da democracia, o PT busca reorganizar suas bases, apontar seus adversários e reacender a chama da mobilização popular. Em um país de emoções políticas intensas, o futuro volta a ser disputado não apenas nas urnas, mas também nos discursos, nas ruas e na consciência coletiva.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *