Caso confirmado em Montenegro é o primeiro registro da doença em uma granja comercial no Brasil; governo aplica barreiras e investiga origem do vírus,
A Secretaria de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul confirmou nesta sexta-feira (16) que quase 17 mil aves morreram em uma granja comercial no município de Montenegro, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por causa da gripe aviária. Esse é o primeiro caso da doença registrado em uma granja de produção no Brasil.
As aves infectadas eram galinhas matrizes; destinadas à produção de ovos férteis, que são usados para gerar novos animais, não para o consumo humano. Segundo o governo estadual, as galinhas estavam em dois galpões: em um deles, toda a população morreu; no outro, cerca de 80% dos animais. As aves sobreviventes foram abatidas, e o local passará por um rigoroso processo de limpeza e desinfecção.
Rastreio de ovos e barreiras de contenção
Ovos oriundos da granja foram enviados a incubatórios dentro e fora do Rio Grande do Sul e estão sendo rastreados para serem eliminados.
Além disso, barreiras sanitárias foram montadas num raio de 3 a 10 quilômetros do foco da doença. A medida afeta principalmente veículos ligados à produção agropecuária ; como caminhões de ração, transporte de carga animal e de leite , que representam maior risco de disseminação.
Exportações suspensas
Para conter danos econômicos maiores e manter a confiança internacional, o Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente as exportações de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A medida vale enquanto durar o controle do surto.
Antes mesmo do anúncio oficial do governo brasileiro, a China e a União Europeia já haviam bloqueado a importação de carne de frango do Brasil.
Como o vírus chegou até lá?
A origem do contágio ainda está sendo investigada. As hipóteses incluem contato com aves silvestres, entrada do vírus por calçados, equipamentos, insumos ou até pela água usada na propriedade. Mesmo com protocolos de segurança em dia, como destacou o governo, a doença conseguiu atravessar as barreiras.
Consumo seguro e risco à saúde humana
Apesar da gravidade da situação para o setor avícola, especialistas reforçam: não há risco de transmissão da gripe aviária pelo consumo de carne de frango ou ovos. O vírus é eliminado completamente durante o cozimento.
O risco de contágio humano está ligado ao contato direto com aves infectadas, especialmente sem proteção adequada. Casos em humanos são raros e geralmente envolvem trabalhadores de granjas ou pessoas que manipulam aves doentes sem o uso de equipamentos como luvas e máscaras.
FAO reage: “Nenhum país está a salvo sozinho”
Diante do caso confirmado no Brasil, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) alertou para a necessidade de um esforço coordenado global. “Nenhum país estará a salvo até que todos estejam seguros”, afirmou uma autoridade sênior à CNN.
A FAO e a Organização Mundial da Saúde Animal já estão mobilizadas e trabalham em conjunto para conter o avanço do vírus HPAI (influenza aviária de alta patogenicidade) ao redor do mundo.
Por: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













