Deputado apresentou atestados médicos e manteve rotinas de votação, o que fez sua ausência passar despercebida na Câmara.
A saída de Alexandre Ramagem (PL-RJ) do país, agora revelada, caiu como uma surpresa para muitos dentro da Câmara dos Deputados. Nos bastidores, a avaliação é de que o parlamentar deixou Brasília “de fininho”, seguindo protocolos formais e sem dar margem para desconfianças. Enquanto enfrentava repercussão de sua condenação por envolvimento em uma trama golpista, Ramagem apresentou atestados médicos e continuou participando de votações de forma remota, comportamento que ajudou a mascarar sua ausência.
Fontes ouvidas nos corredores da Casa relatam que a apresentação de dois atestados médicos não soou incomum. Com 513 deputados, afastamentos por questões de saúde são frequentes e dificilmente chamam atenção. A surpresa só veio quando o site PlatôBR divulgou que o deputado estava, na verdade, em um condomínio de luxo em Miami, nos Estados Unidos.
Ausência só foi descoberta após notícia da viagem
A partir dessa revelação, começou uma corrida interna para entender em que condições o parlamentar havia deixado o Brasil. Uma das primeiras verificações foi confirmar se Ramagem teria viajado sob uma missão oficial autorizada pela Câmara, o que não ocorreu.
Na varredura administrativa, surgiram os dois afastamentos médicos apresentados pelo deputado: o primeiro cobrindo o período de 9 de setembro a 8 de outubro, e o segundo entre 13 de outubro e 12 de dezembro.
Votos à distância ajudaram a manter discrição
O ponto que mais chamou atenção, e até gerou perplexidade, foi o fato de Ramagem ter continuado registrando participação em algumas votações da Câmara mesmo durante o afastamento. Graças ao sistema remoto, ele se manteve regular perante o painel de presenças, o que impediu que sua ausência física levantasse suspeitas.
Para servidores da Casa, foi essa rotina formalmente intacta que fez com que o sumiço do deputado passasse despercebido até que a informação vazasse para a imprensa. O caso agora mobiliza bastidores e deve seguir repercutindo, colocando em debate não apenas a conduta do parlamentar, mas a forma como mecanismos remotos podem ser usados para garantir atividade parlamentar mesmo a milhares de quilômetros de distância.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN













