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Ramagem e Torres são afastados da PF após condenação no STF por tentativa de golpe

Decisão do Ministério da Justiça rompe definitivamente o vínculo dos dois com a corporação.

A decisão que rompe de vez os laços com a instituição que um dia representaram carrega um peso simbólico e histórico. Alexandre Ramagem e Anderson Torres, dois nomes centrais do antigo governo Bolsonaro, perderam oficialmente seus cargos de delegados da Polícia Federal nesta quarta-feira (3), após condenação no Supremo Tribunal Federal por participação na tentativa de golpe de Estado. O gesto marca não apenas uma punição administrativa, mas um divisor definitivo em suas trajetórias.

As portarias foram assinadas pelo ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e publicadas no início da tarde. Com o ato, fica formalmente desconstituído o vínculo estatutário dos dois com a PF, em cumprimento à decisão da Primeira Turma do STF, que já havia determinado a perda dos cargos públicos como parte da condenação criminal.

Condenações, prisão e peso político das decisões

Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Abin durante o governo de Jair Bolsonaro, foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por tentativa de golpe de Estado. Atualmente deputado federal pelo PL, ele está nos Estados Unidos. Mesmo à distância, a decisão atinge em cheio sua atuação política e institucional no Brasil.

Já Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, cumpre pena de 24 anos de prisão no núcleo de custódia da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. Ele também foi responsabilizado por seu papel nos atos que tentaram subverter a ordem democrática após as eleições de 2022.

Ambos foram condenados pelo Supremo em setembro deste ano, após julgamento que apontou atuação direta e decisiva no plano golpista. A perda dos cargos na Polícia Federal consolida as consequências da sentença, indo além da prisão e atingindo suas carreiras definitivas no serviço público.

O afastamento de Ramagem e Torres não é apenas jurídico. Ele carrega uma mensagem institucional clara de que não há espaço para quem atenta contra a democracia dentro dos pilares do Estado. Para o país, fica a lembrança de um período de rupturas, agora marcado também por responsabilizações que ecoam como um alerta para o futuro.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Brasil 247

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