Estratégia semelhante à de Carla Zambelli é avaliada para preservar direitos políticos do deputado.
O efeito dominó provocado pela renúncia de Carla Zambelli ainda reverbera nos corredores do Congresso Nacional e já influencia decisões estratégicas dentro do PL. Em um momento de forte tensão institucional e disputas de bastidores, a possibilidade de renúncia do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) entrou no radar como alternativa para evitar um desgaste político imediato e preservar direitos futuros.
A informação foi confirmada pelo líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, que afirmou que Ramagem pode abrir mão do mandato em 2026. Segundo ele, a estratégia é semelhante à adotada por Zambelli nesta semana e está diretamente ligada ao pedido de asilo político apresentado pelo parlamentar aos Estados Unidos, onde ele está desde setembro.
Estratégia para ganhar tempo
De acordo com Sóstenes, a prioridade neste momento é impedir que o caso de Ramagem avance na Câmara. O líder afirmou que pretende pedir ao colégio de líderes que o tema não seja pautado nesta semana, justamente para evitar uma análise precipitada da situação do deputado.
“Falei com ele agora há pouco e ele disse que pode até pensar numa futura renúncia no próximo ano, porque está tramitando um pedido de asilo político nos Estados Unidos, e neste momento a manutenção do mandato é importante para ele”, declarou Sóstenes.
Eleições de 2026 entram no cálculo
Além da situação de Ramagem, Sóstenes Cavalcante também comentou sobre o xadrez eleitoral de 2026. Segundo ele, o nome do senador Flávio Bolsonaro já está consolidado como candidato à Presidência da República pelo PL e não há qualquer possibilidade de recuo nessa decisão.
Para o Senado, especialmente no Rio de Janeiro, o cenário segue indefinido. Sóstenes admitiu que seu nome está entre os avaliados, embora diga não ter grande entusiasmo pela disputa. Ainda assim, afirmou que pode aceitar a candidatura caso haja um entendimento interno do partido e, principalmente, um pedido direto do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Nas duas vezes em que estive com o presidente Bolsonaro, ele pediu para colocar o meu nome”, revelou.
Olhar voltado à Presidência da Câmara
Apesar das especulações sobre 2026, Sóstenes deixou claro que sua principal ambição política segue sendo a Presidência da Câmara dos Deputados. Segundo ele, qualquer decisão futura dependerá do desempenho da direita nas urnas e do tamanho da bancada do PL na próxima legislatura.
Críticas à condução da Casa
O líder do PL também aproveitou para criticar a condução do presidente da Câmara, Hugo Motta. Para Sóstenes, a atual gestão tem adotado uma postura excessivamente cautelosa, adiando decisões sensíveis e empurrando problemas para frente.
“A gestão do Hugo lidera empurrando o problema pra frente. Isso não ajuda”, afirmou.
Apesar das críticas, o deputado ponderou que Motta tem um estilo próprio de liderança, que deve ser respeitado, ainda que ele discorde de parte das decisões tomadas ao longo do ano.
No pano de fundo de todas essas movimentações, está uma Câmara pressionada pelo Supremo, pelas ruas e pelo calendário eleitoral. Em meio a cálculos políticos e estratégias de sobrevivência, renunciar pode deixar de ser apenas um gesto individual e se transformar em uma saída coletiva para evitar novos embates institucionais e preservar o futuro político de quem ainda aposta em 2026.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados












