Daniel Lima garante que fundo continua sólido e que pagamentos serão iniciados assim que lista de credores for entregue ao FGC.
Em meio à angústia de milhões de clientes que ainda tentam respirar diante da liquidação do Banco Master, o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) trouxe uma notícia que pode aliviar um pouco da ansiedade: os reembolsos devem começar ainda em 2025. A informação foi confirmada pelo presidente do Fundo, Daniel Lima, em entrevista concedida à CNN nesta quinta-feira (20), reforçando que o pagamento será iniciado logo após a entrega da lista oficial de credores.
Segundo Lima, assim que o FGC receber a relação dos beneficiários com os respectivos valores, os depósitos serão efetuados em até dois dias úteis. Embora não haja um prazo oficial para o envio da lista pelo liquidante, a média histórica aponta de 30 a 40 dias para essa etapa.
Como será o processo de pagamento
O início do pagamento, no entanto, está condicionado ao cadastro dos clientes. Pessoas físicas e empresas já podem fazer um pré-cadastro no aplicativo do FGC, garantindo agilidade quando a base final de dados for liberada. Depois disso, será possível solicitar formalmente o resgate dos valores protegidos pela garantia.
Daniel Lima relembra que o FGC acaba de completar 30 anos de atuação e que, ao longo dessas três décadas, todas as liquidações bancárias foram honradas dentro das regras. “Em quarenta bancos liquidados, todos receberam seus valores. Vai dar tudo certo de novo”, afirmou.
A maior operação da história do Fundo
O caso do Banco Master representa a maior operação já registrada pelo FGC. Segundo cálculos do Fundo, cerca de 1,6 milhão de credores possuem depósitos e investimentos elegíveis à garantia, somando aproximadamente R$ 41 bilhões que serão utilizados nos reembolsos.
A magnitude do processo levantou questionamentos sobre a robustez da instituição garantidora, especialmente porque o Fundo tem obrigação legal de manter liquidez equivalente a 2,5% dos depósitos elegíveis. No primeiro semestre, estava em 2,32%, com R$ 122 bilhões em caixa, mas agora precisará mobilizar boa parte dos recursos para atender o Master.
Sem risco sistêmico, afirma o FGC
Mesmo diante da operação bilionária, Daniel Lima descarta qualquer risco ao sistema financeiro e ao próprio Fundo. Para ele, a liquidação do Master não pegou ninguém de surpresa e não apresenta potencial de contaminação para outros bancos, já que a instituição não estava altamente interligada ao mercado.
Caso seja necessário reforçar a liquidez, o FGC afirma que pode antecipar contribuições dos bancos e acessar novas fontes de recursos, garantindo que o mecanismo continue sólido e operacional.
Passo a passo do recebimento
• O liquidante do Banco Master envia ao FGC a lista oficial de credores e valores – processo que pode levar cerca de 30 dias
• Credores já podem realizar cadastro básico no aplicativo
• Após o recebimento da lista, o FGC libera o sistema para solicitação do reembolso
• Pessoas físicas fazem o pedido pelo aplicativo; empresas, pelo site
• Após a confirmação do cadastro, o termo de solicitação é assinado digitalmente (para empresas, o documento chega por e-mail após verificação)
No fim das contas, o que os clientes mais querem agora é a sensação de segurança de volta. E, mesmo com toda a burocracia e o peso dos números, há um ponto que merece ser lembrado: em meio ao caos, o sistema segue funcionando, abrindo espaço para que cada pessoa afetada possa seguir em frente. Porque, para quem teve o susto de ver seu dinheiro preso, ser ouvido, amparado e ressarcido não é apenas uma questão financeira – é uma forma de recuperar a confiança e respirar novamente.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Imagem gerada por IA













