Presidente da comissão traça cronograma apertado, mas admite mudanças caso STF prorrogue os trabalhos.
A reta final da CPMI do INSS se aproxima em meio a pressões políticas, disputas institucionais e a expectativa por respostas sobre possíveis irregularidades que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros. A votação do relatório final pode acontecer já na próxima semana, marcando um dos momentos mais decisivos da comissão.
O presidente do colegiado, senador Carlos Viana, afirmou nesta quarta-feira (18), que há previsão para que o parecer seja analisado na próxima quinta-feira (26), caso o cronograma atual seja mantido sem alterações.
Cronograma apertado e etapas finais
A estratégia definida pela presidência prevê a realização das últimas oitivas ainda nesta semana e na próxima segunda-feira. Na sequência, o relatório do deputado Alfredo Gaspar deve ser lido entre terça e quarta-feira, abrindo espaço para análise dos parlamentares antes da votação.
O prazo curto reflete a tentativa de encerrar os trabalhos dentro do período inicialmente previsto, diante da pressão por conclusões concretas após meses de investigação.
Possível prorrogação pode mudar tudo
Apesar do planejamento, o cenário ainda é incerto. Viana deixou claro que o cronograma pode ser revisto caso o ministro André Mendonça autorize a prorrogação da comissão.
Segundo o senador, uma eventual extensão dos trabalhos abriria espaço para aprofundar investigações e até reformular o calendário. “Se a prorrogação chegar, posso suspender e anunciar um novo cronograma”, afirmou.
Tensão com o STF e críticas à interferência
O andamento da CPMI tem sido marcado por atritos com o Supremo Tribunal Federal. Viana criticou o que chamou de “interferência clara” após decisões que impactaram diretamente as oitivas, como o cancelamento do depoimento da empresária Leila Pereira, ligada ao setor financeiro.
A preocupação dentro da comissão é que outros convocados recorram ao STF para evitar depoimentos, o que pode comprometer o avanço das investigações.
Investigações ainda incompletas
Mesmo com avanços na apuração de possíveis irregularidades envolvendo benefícios previdenciários e associações, Viana reconheceu que nem todos os pontos puderam ser aprofundados.
Um dos exemplos é a análise de eventuais conexões entre empréstimos consignados e instituições financeiras, como o Banco Master, que ainda não foi explorada em profundidade. “Não deu tempo”, admitiu o senador.
A comissão também aguarda definições sobre o uso de dados sigilosos na chamada sala-cofre, considerada peça-chave para o acesso a informações mais sensíveis.
No fim, mais do que prazos e relatórios, o que está em jogo é a confiança da população em um sistema que deveria proteger os mais vulneráveis. A conclusão da CPMI pode encerrar uma etapa, mas também precisa abrir caminhos para respostas reais porque, para quem depende do INSS, cada decisão tem impacto direto na vida, na dignidade e no futuro.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













