Advogados avaliam que saída do mandato reduz tensão institucional e pode enfraquecer pedido de extradição.
Em meio a um cenário jurídico delicado e de forte repercussão política, a renúncia ao mandato pode representar mais do que um gesto simbólico para Carla Zambelli. Para a defesa da ex-deputada, a decisão abre espaço para uma mudança de leitura da Justiça italiana sobre o caso e pode ser determinante no futuro imediato da parlamentar, que tenta permanecer no país europeu.
Segundo o advogado Fábio Pagnozzi, a saída formal do cargo ajuda a reduzir o embate institucional entre o Judiciário brasileiro e o Legislativo, fator que, na avaliação da defesa, pesava contra Zambelli no processo de extradição. A expectativa é de que essa nova configuração diminua a pressão política internacional e fortaleça os argumentos apresentados à Justiça da Itália.
Nova audiência será decisiva
Na próxima quinta-feira, Zambelli passará por uma nova audiência, considerada crucial pela defesa. O encontro deve definir se ela continuará na Itália ou se será extraditada ao Brasil para cumprir a pena imposta pelo Supremo Tribunal Federal. Pagnozzi afirma que a renúncia foi uma decisão pensada de forma estratégica, com foco direto no andamento do processo.
Na avaliação do advogado, o gesto foi conduzido de maneira técnica e harmônica, sem confronto institucional, o que pode ser visto de forma positiva pelas autoridades italianas responsáveis pelo caso.
Sinalizações da Justiça italiana
Na audiência anterior, a Justiça da Itália solicitou ao governo brasileiro informações detalhadas sobre as condições das penitenciárias do país. Nos bastidores, autoridades brasileiras interpretam o pedido como um indicativo de que a extradição de Zambelli ainda em 2025 é uma possibilidade concreta.
A defesa, no entanto, sustenta que a ex-deputada possui comorbidades e que, caso condenada a cumprir pena fora do Brasil, deveria permanecer na Itália em regime domiciliar. O argumento será novamente apresentado na audiência marcada para esta semana.
Condenação no STF e prisão em Roma
Zambelli foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça e pela inserção de documentos falsos, em um episódio ocorrido em 2023. Desde julho, ela está detida na penitenciária feminina de Rebibbia, nos arredores de Roma.
No centro desse impasse, a renúncia surge como uma tentativa de reposicionar o caso não apenas no campo jurídico, mas também no político. Em um processo que mistura direito, diplomacia e símbolos de poder, cada decisão pesa. E, para Zambelli, o desfecho pode estar cada vez mais próximo de ser definido longe do plenário e dentro de um tribunal europeu.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













