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Senado instala CPI do Crime Organizado em meio a embate político pelo comando

Relatoria deve ficar com Alessandro Vieira (MDB-SE); oposição e base governista disputam presidência do colegiado.

O Senado instalou nesta terça-feira (4) a CPI do Crime Organizado, que investigará a atuação de facções criminosas e milícias no país. A abertura da sessão foi conduzida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), o mais velho do grupo, que deu início aos trabalhos do colegiado ainda sem consenso sobre quem ocupará a presidência.

A instalação ocorre em um momento de alta tensão nacional, após a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de cem mortos e reacendeu o debate sobre a presença de facções no território fluminense.

Disputa política pelo comando da CPI

A presidência da comissão é alvo de uma disputa acirrada entre oposição e base governista. Antes da reunião, senadores tentaram articular um acordo, mas o impasse permaneceu. Estão cotados para o comando os senadores Fabiano Contarato (PT-ES), Jaques Wagner (PT-BA), Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

A relatoria deve ficar com Alessandro Vieira (MDB-SE), responsável pelo pedido de criação da CPI e considerado um nome técnico por já ter atuado como delegado da Polícia Civil. Apesar de não integrar formalmente a base do governo, Vieira tem mantido diálogo próximo ao Planalto em algumas pautas estratégicas.

Estrutura e foco das investigações

A comissão será composta por 11 titulares e sete suplentes, e terá 120 dias de duração, com limite de despesas de R$ 30 mil. O objetivo é investigar o modus operandi de facções e milícias em diferentes estados e propor medidas concretas de enfrentamento.

A CPI havia sido criada em junho, mas sua instalação ficou paralisada por meses devido à demora nas indicações partidárias. O processo foi destravado após pressão de senadores diante da escalada da violência e do avanço do crime organizado.

Integrantes titulares

  • Alessandro Vieira (MDB-SE)
  • Marcio Bittar (PL-AC)
  • Marcos do Val (Podemos-ES)
  • Otto Alencar (PSD-BA)
  • Angelo Coronel (PSD-BA)
  • Jorge Kajuru (PSB-GO)
  • Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
  • Magno Malta (PL-ES)
  • Rogério Carvalho (PT-SE)
  • Fabiano Contarato (PT-ES)
  • Hamilton Mourão (Republicanos-RS)

Suplentes: Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Sergio Moro (União-PR), Randolfe Rodrigues (PT-AP), Eduardo Girão (Novo-CE), Jaques Wagner (PT-BA) e Esperidião Amin (PP-SC).

Um desafio além da política

A CPI nasce com o desafio de não se transformar em palco de disputas ideológicas, mas sim em um instrumento eficaz de investigação e formulação de políticas públicas. Em um país onde o crime organizado se infiltra nas estruturas do Estado, o sucesso da comissão dependerá menos das siglas partidárias e mais da coragem política de enfrentar o problema em sua raiz.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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