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Senadores articulam reuniões com Fachin e PF para avançar em apuração sobre o Banco Master

CAE quer acesso a inquéritos e investigações sigilosas que apuram possível uso do sistema financeiro pelo crime organizado.

Em meio a um cenário de desconfiança, cifras bilionárias e investigações sensíveis, o caso envolvendo o Banco Master começa a ganhar contornos mais firmes no Congresso Nacional. Senadores decidiram avançar com cautela, mas também com pressão institucional, buscando acesso direto a informações que hoje estão restritas aos órgãos de investigação e ao Supremo Tribunal Federal.

Na próxima semana, parlamentares do grupo de trabalho ligado à Comissão de Assuntos Econômicos devem se reunir com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o presidente do STF, ministro Edson Fachin. Os encontros estão previstos para quarta-feira (11), às 17h, na PF, e às 18h30, no Supremo.

O movimento é liderado pelo presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), que pretende solicitar o compartilhamento de inquéritos já instaurados e ampliar o acesso do Legislativo às apurações em curso sobre o Banco Master.

Pedido de acesso a inquéritos da Polícia Federal

Na reunião com a Polícia Federal, Renan Calheiros deve formalizar o pedido de compartilhamento de investigações que, segundo parlamentares da CAE, já identificaram indícios graves de irregularidades. Há pelo menos cinco inquéritos em andamento que apontam o uso do sistema financeiro por organizações criminosas.

Entre os achados preliminares estão indícios de emissão de títulos sem lastro, gestão fraudulenta e movimentações financeiras atípicas, que podem ter contribuído para a expansão irregular de operações de crédito. Algumas dessas apurações integram fases de investigações batizadas com nomes como Operação Colossus.

Investigação sob sigilo no STF

No Supremo Tribunal Federal, a investigação relacionada ao Banco Master tramita sob sigilo. Até o momento, apenas pequenos trechos de depoimentos vieram a público, o que reforça a intenção dos senadores de buscar acesso institucional às informações.

A expectativa é de que, na reunião com o ministro Edson Fachin, sejam discutidos os limites legais para o compartilhamento de dados e a forma como o Legislativo pode acompanhar o caso sem interferir nas investigações judiciais.

Trabalhos paralelos e possível CPI

Nesta semana, o grupo de trabalho da CAE já se reuniu com o presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, dando sequência à agenda de apuração técnica e política sobre a crise do banco.

Em entrevista à CNN, Renan Calheiros afirmou que as ações da comissão são complementares às investigações em curso e não substituem uma eventual abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito. Nos bastidores, senadores já mencionam a possibilidade de ouvir o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, além de outras autoridades, como o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

O caso do Master avança entre o silêncio dos autos e a pressão política por respostas. Em um sistema financeiro que depende de confiança, cada novo passo dado pelo Congresso carrega uma expectativa clara: lançar luz sobre o que ainda está nas sombras e oferecer ao país explicações à altura da gravidade das suspeitas em apuração.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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