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Servidora da Receita nega ter acessado dados da esposa de Moraes em investigação da PF

Defesa afirma que auditora tem 32 anos de carreira sem histórico disciplinar e nega motivação política ou financeira.

A investigação que apura o suposto vazamento de dados fiscais de ministros do Supremo ganhou novo capítulo. A servidora da Receita Federal Ruth Machado dos Santos negou ter acessado informações da esposa do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.

Ruth foi alvo de operação da Polícia Federal que busca identificar se houve motivação política ou financeira na quebra de sigilo de dados fiscais de integrantes da Corte e de seus familiares nos sistemas da Receita.

Defesa ressalta trajetória e nega viés político

Em nota assinada pelo advogado Diego Soares de Oliveira Scarpa, a defesa destacou que a servidora tem 32 anos de atuação no serviço público sem qualquer registro de procedimento disciplinar, sindicância ou investigação.

“Ao longo de mais de três décadas de exercício, jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, mantendo reputação ilibada e reconhecida por colegas e superiores hierárquicos”, diz trecho do comunicado.

O advogado também afirmou que Ruth não possui vínculo político-partidário, histórico de militância ou engajamento ideológico que pudesse sugerir motivação política. Segundo a defesa, trata-se de atuação técnica e apartidária.

A nota sustenta ainda que a servidora não cometeu qualquer infração penal e que confia na condução serena da apuração.

Operação e contexto da investigação

A operação foi autorizada por Moraes a pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito do chamado inquérito das fake news. Mandados de busca e apreensão e medidas cautelares foram cumpridos nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia contra servidores suspeitos de acessar e divulgar dados fiscais protegidos por sigilo.

O inquérito foi instaurado em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, e teve Moraes designado como relator. Em janeiro deste ano, o ministro determinou a abertura de uma nova investigação para apurar se o Conselho de Controle de Atividades Financeiras e a Receita Federal teriam promovido quebras ilegais de sigilo fiscal de membros da Corte e seus familiares.

O caso envolve não apenas a apuração de responsabilidades individuais, mas também a integridade de sistemas que lidam com dados sensíveis de autoridades públicas. Em um cenário de tensão institucional, cada informação sob investigação amplia o debate sobre limites, garantias legais e a proteção do sigilo fiscal no país.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

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