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STF conclui audiência e Mauro Cid tem tornozeleira eletrônica retirada

Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro inicia cumprimento da pena por participação na trama golpista.

Em um dia simbólico para os desdobramentos do caso que abalou o país, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), retirou nesta segunda-feira (3) a tornozeleira eletrônica após participar de uma audiência admonitória no Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão, que durou cerca de uma hora, marcou o início do cumprimento da pena de dois anos de prisão em regime aberto, imposta ao militar pela participação na tentativa de golpe de Estado.

Início do cumprimento da pena

A audiência admonitória é um procedimento obrigatório antes da execução da pena, quando o condenado é formalmente advertido sobre as condições do regime imposto. Após a sessão, Cid foi liberado para seguir à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal, onde teve o equipamento de monitoramento retirado.

A decisão cumpre determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que já havia homologado o acordo de delação premiada firmado entre o tenente-coronel e a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Figura central na delação

Cid se tornou um dos principais delatores da trama golpista que mirou as eleições de 2022 e o sistema democrático. Em seu acordo, ele revelou detalhes de supostas reuniões, trocas de mensagens e planos articulados por aliados do ex-presidente Bolsonaro para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Suas declarações abriram caminho para novas investigações, que seguem em sigilo no STF, mas já resultaram em avanços significativos no inquérito das milícias digitais e da tentativa de golpe.

Mais do que um simples ato processual, a retirada da tornozeleira de Mauro Cid representa um novo capítulo no longo percurso da Justiça brasileira em apurar responsabilidades por um dos episódios mais tensos da recente história política do país. A imagem do militar deixando o tribunal sem o equipamento de monitoramento eletrônico carrega um simbolismo forte: o de que as engrenagens da lei continuam girando, silenciosas, mas firmes, em busca da verdade e da restauração da confiança democrática.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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