Home / Politica / STF forma maioria para manter Bolsonaro preso na Papudinha

STF forma maioria para manter Bolsonaro preso na Papudinha

Primeira Turma referenda decisão de Alexandre de Moraes que negou prisão domiciliar ao ex-presidente condenado por tentativa de golpe após as eleições de 2022.

A situação judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (5), com impacto direto sobre o futuro imediato do ex-chefe do Planalto. A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal formou maioria para manter Bolsonaro preso na chamada “Papudinha”, em Brasília, ao referendar a decisão que negou o pedido de prisão domiciliar apresentado por sua defesa.

A decisão inicial foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes e agora passa pelo crivo dos demais integrantes do colegiado. O caso está sendo analisado em sessão virtual, formato em que os ministros registram seus votos eletronicamente até as 23h59 desta quinta-feira.

Votos consolidam maioria

Até o momento, além de Moraes, os ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin já votaram para manter a decisão que negou a prisão domiciliar ao ex-presidente.

Falta apenas o voto da ministra Cármen Lúcia para concluir a análise, mas a maioria necessária já foi alcançada dentro da Primeira Turma.

Defesa alegou quadro de saúde

O pedido de domiciliar havia sido apresentado pela defesa de Bolsonaro com base em razões humanitárias. Os advogados argumentaram que o ex-presidente possui um quadro clínico complexo, com múltiplas comorbidades, e que a permanência em casa seria mais adequada para o tratamento.

Após avaliação médica, no entanto, peritos concluíram que as condições de saúde do ex-presidente estão sob controle clínico e medicamentoso. Segundo os especialistas, o local onde ele está custodiado possui estrutura suficiente para garantir o acompanhamento necessário.

Tentativa de violar tornozeleira pesou na decisão

Outro ponto considerado por Moraes foi um episódio ocorrido antes da condenação definitiva, quando Bolsonaro ainda respondia ao processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.

Na ocasião, segundo os autos, ele tentou remover a tornozeleira eletrônica queimando o equipamento com um ferro de solda. Para o ministro, a atitude indicou possível tentativa de fuga e desrespeito às ordens judiciais.

Na decisão, Moraes afirmou que a “dolosa e ostensiva tentativa de fuga com destruição do aparelho de monitoramento eletrônico” é um fator que impede a substituição da prisão por domiciliar, citando entendimento consolidado da jurisprudência.

Condenação por tentativa de golpe

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma tentativa de golpe de Estado com o objetivo de permanecer no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Atualmente, ele cumpre pena em uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, localizado no Complexo da Papuda, em Brasília.

Em meio à polarização política que ainda marca o país, cada decisão envolvendo o ex-presidente continua a provocar reações intensas e a mobilizar atenções dentro e fora do cenário jurídico. O desfecho desse processo, mais do que um capítulo judicial, reflete também as tensões de um período recente da história brasileira que ainda ecoa no debate público.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agora RN

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *