Decisão de Flávio Dino leva ao plenário um dos crimes mais emblemáticos da história recente do país.
O tempo passou, mas a dor, a revolta e a cobrança por justiça seguem vivas na memória do Brasil. Quase oito anos após a execução brutal da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, o Supremo Tribunal Federal finalmente marcou a data para julgar os acusados de serem os mandantes e articuladores do crime que chocou o país e ganhou repercussão internacional.
O presidente da Primeira Turma do STF, ministro Flávio Dino, agendou para os dias 24 e 25 de fevereiro de 2026 o julgamento presencial do ex-deputado federal Chiquinho Brazão e dos demais réus apontados como integrantes do núcleo de comando da execução.
Quem são os réus e a fase atual do processo
Além de Chiquinho Brazão, também serão julgados Domingos Inácio Brazão, ex-conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, João Francisco Inácio Brazão, ex-parlamentar, Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro, além de Ronald Paulo Alves, major da Polícia Militar, e Robson Calixto Fonseca, policial militar. Todos estão presos preventivamente ou cumprem prisão domiciliar.
A marcação do julgamento atende a um pedido do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF. No despacho, Moraes destacou que todas as etapas da instrução da ação penal já foram concluídas, inclusive as diligências complementares necessárias para o andamento do processo.
Em maio deste ano, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação dos réus pelos crimes de organização criminosa e homicídio, reforçando que há elementos suficientes para responsabilizá-los pela articulação do assassinato.
Um crime que marcou o Brasil
Marielle Franco foi assassinada a tiros no dia 14 de março de 2018, no centro do Rio de Janeiro. Ao seu lado, também foi executado o motorista Anderson Gomes. O crime interrompeu de forma brutal a trajetória de uma vereadora que simbolizava a luta pelos direitos humanos, pelas mulheres, pela população negra e pelas comunidades periféricas.
As investigações apontam que o crime foi motivado pela atuação de Marielle contra a expansão da milícia e a disputa por terras na capital fluminense.
Em 2019, os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram presos como os executores do crime. Mais tarde, Lessa firmou acordo de delação premiada e afirmou que Chiquinho Brazão foi um dos mandantes. À Polícia Federal, ele declarou que os irmãos teriam oferecido cerca de US$ 10 milhões pela morte da vereadora.
Desde então, o caso se tornou símbolo da luta contra a impunidade, atravessando governos, tribunais e debates nacionais sobre violência política.
Agora, com a data finalmente marcada, o país volta a olhar para fevereiro de 2026 como um momento decisivo. Para além das teses jurídicas e dos nomes envolvidos, o julgamento carrega uma carga histórica, emocional e simbólica profunda. Para muitos brasileiros, não se trata apenas de condenar culpados, mas de reafirmar que a democracia não pode se curvar ao medo, à violência e ao silêncio imposto pelas armas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Jovem Pan













