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STF prevê encerrar julgamento da trama golpista até o fim de 2025

Após condenação histórica de Jair Bolsonaro, restam 23 réus à espera de sentença; PGR tem prazo para concluir parecer sobre militares do “núcleo 3”.

O julgamento da chamada tentativa de golpe que sacudiu o país segue em ritmo decisivo. Depois de condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, o Supremo Tribunal Federal (STF) se prepara para concluir até o fim deste ano a análise dos demais réus envolvidos na trama que buscava mantê-lo no poder à força. Ao todo, 23 pessoas ainda aguardam sentença, e cada nome simboliza um pedaço da engrenagem que quase empurrou o Brasil para o abismo institucional.

O prazo da PGR e o núcleo dos “kids pretos”

Nesta segunda-feira (15), vence o prazo para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, apresente parecer conclusivo sobre o núcleo 3, formado em grande parte por militares da ativa e da reserva, apelidados de “kids pretos”. O grupo inclui coronéis, generais e até um policial federal acusados de conspirar para dar suporte logístico e político à ruptura democrática.

Além dele, o núcleo 4: apelidado de “núcleo da desinformação”, está na fase de alegações finais, ainda em prazo aberto para as defesas. Já o núcleo 2, que teria dado suporte direto ao núcleo central da trama, é considerado o mais atrasado. É nele que estão nomes como o ex-diretor da PRF Silvinei Vasques e o ex-assessor de Bolsonaro Filipe Martins.

Quem são os réus dos núcleos

Entre os investigados estão militares de alta patente, ex-dirigentes de órgãos de segurança e aliados próximos do ex-presidente. No núcleo 2, além de Vasques e Martins, aparecem figuras como o coronel Marcelo Câmara e a delegada Marília Alencar. O núcleo 3 concentra nomes como os generais Estevam Theophilo e Bernardo Correa Netto, além de nove oficiais de diferentes patentes. Já o núcleo 4 reúne militares da reserva e civis acusados de fomentar a máquina de desinformação que alimentou o golpismo.

PGR não deve recorrer das penas

Apesar de ter manifestado insatisfação com a pena branda aplicada ao ex-ajudante de ordens Mauro Cid, condenado a dois anos em regime aberto, Gonet não deve recorrer das condenações já proferidas. Isso inclui a de Bolsonaro, considerado pela PGR o chefe da organização criminosa.

As defesas, por sua vez, ainda poderão apresentar recursos, mas o prazo só começará a contar após a publicação do acórdão da primeira decisão, o que pode levar até 60 dias. Enquanto isso, Bolsonaro segue em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica, em outro processo que trata de coação processual.

Justiça e memória

O julgamento da trama chamada golpista não é apenas um procedimento jurídico: é um capítulo de memória coletiva. Cada decisão tomada pelo STF ecoa como um alerta de que a democracia brasileira não pode ser refém de projetos autoritários e que tanto as instituições, como a liberdade, devem nortear as decisões do país.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/STF

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