Após leitura do relatório e sustentação da PGR, advogados dos réus têm até uma hora para tentar reverter acusações que envolvem tentativa de golpe de Estado.
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus, acusados de tentar um golpe de Estado após as eleições de 2022, voltou a ser o centro das atenções nesta terça-feira (2) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). O clima, embora formal, carrega a tensão de decisões que podem definir rumos da democracia brasileira.
Defesa dos réus assume o palco
Na retomada do julgamento, cada advogado terá até uma hora para apresentar os argumentos de seus clientes, na tentativa de rebater acusações pesadas. O primeiro a falar será Cezar Bitencourt, defensor de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. A expectativa gira em torno de estratégias que busquem reduzir a gravidade das penas ou gerar alguma divergência entre os ministros.
Quem são os réus do núcleo 1
Além de Bolsonaro, o chamado núcleo crucial da trama golpista inclui sete integrantes do alto escalão militar e político:
- Alexandre Ramagem, deputado federal e ex-presidente da Abin;
- Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;
- Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;
- Augusto Heleno, ex-ministro do GSI;
- Mauro Cid, ex-ajudante de ordens;
- Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;
- Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil, candidato a vice-presidente em 2022.
Acusações pesadas
O STF apura cinco crimes atribuídos a Bolsonaro e aos réus: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e ameaça grave, e deterioração de patrimônio tombado. Ramagem responde apenas a três desses crimes, após suspensão parcial da ação pela Câmara.
Cronograma estratégico
O julgamento, conduzido pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma, segue em cinco datas reservadas ao núcleo 1:
- 2 de setembro: 9h às 12h e 14h às 19h
- 3 de setembro: 9h às 12h
- 9 de setembro: 9h às 12h e 14h às 19h
- 10 de setembro: 9h às 12h
- 12 de setembro: 9h às 12h e 14h às 19h
Enquanto cada defesa apresenta sua narrativa, o país acompanha apreensivo. Mais do que a absolvição ou condenação, está em jogo o entendimento sobre limites de poder, responsabilidade de militares e civis, e a proteção das instituições democráticas. Cada argumento ecoa para além das paredes do Supremo, impactando não apenas os réus, mas a própria memória histórica do Brasil.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF












