Home / Politica / STJ avalia intimação de Alexandre de Moraes em ação de redes de Trump nos EUA

STJ avalia intimação de Alexandre de Moraes em ação de redes de Trump nos EUA

Rumble e Truth Social buscam responsabilizar ministro por decisões que teriam bloqueado contas e conteúdo nos Estados Unidos.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) recebeu nesta sexta-feira (15) a notificação da Justiça Federal da Flórida para que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, se manifeste em processo movido pelas plataformas Rumble e Truth Social, ambas associadas a Donald Trump, nos Estados Unidos.

Agora, cabe ao presidente do STJ, Herman Benjamin, decidir se autoriza a citação de Moraes no caso. Se o aval for dado, um juiz será designado para intimar o ministro, que também poderá escolher se deseja receber a citação. Caso contrário, a ação poderá ser analisada por um relator da corte, sem a intimação direta do magistrado. Se o chamado “exequatur” não for concedido, significa que o Brasil considera a ação improcedente, e Moraes não será oficialmente citado.

A ação nos EUA contesta uma decisão de Moraes que exigia que a Rumble bloqueasse a conta do comentarista político Rodrigo Constantino, preservasse seu conteúdo e fornecesse dados do usuário sob ameaça de multa diária de R$ 100 mil (aproximadamente US$ 20 mil). Segundo a petição das plataformas, a ordem judicial foi emitida sem aviso prévio ao governo americano e seria ilegal em território dos EUA.

Segundo o advogado da Rumble, Martin De Luca, as decisões do ministro violam o Tratado de Assistência Jurídica Mútua (MLAT) entre Brasil e Estados Unidos, e nenhuma outra autoridade judicial brasileira teria adotado medida semelhante.

As empresas solicitam que o Tribunal Federal da Flórida declare suas decisões inexequíveis nos EUA e evite que Moraes obrigue companhias como Apple a removerem aplicativos das lojas digitais. Além disso, pedem indenizações compensatórias, alegando que as determinações judiciais do ministro configuram censura e “ordens de mordaça” (gag orders).

O caso reacende o debate sobre os limites da atuação de magistrados brasileiros no contexto internacional e a interação entre decisões judiciais nacionais e direitos de empresas estrangeiras de tecnologia.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *