Ataque ocorreu no Oceano Índico e marca o primeiro uso de torpedo contra embarcação inimiga desde a Segunda Guerra Mundial
O conflito no Oriente Médio atravessou, nesta quarta-feira (4), uma linha que parecia pertencer aos livros de história. Um submarino dos Estados Unidos afundou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico, deixando ao menos 80 mortos, segundo autoridades do Sri Lanka. O episódio não apenas amplia a tensão global, como também inaugura um capítulo militar inédito em mais de sete décadas.
A embarcação iraniana navegava próxima à costa do Sri Lanka quando foi atingida. O vice-ministro das Relações Exteriores do país asiático confirmou as mortes à televisão local. Pouco depois, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou o ataque durante coletiva no Pentágono.
Primeiro torpedo contra navio inimigo desde a Segunda Guerra
Segundo Hegseth, um submarino americano afundou o que classificou como o “navio-prêmio” do Irã, chamado Soleimani. O secretário destacou que este foi o primeiro afundamento de uma embarcação inimiga por torpedo desde a Segunda Guerra Mundial.
“Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano que pensava estar seguro em águas internacionais. Em vez disso, foi afundado por um torpedo”, afirmou.
O navio levava o nome do ex-general iraniano Qasem Soleimani, morto por forças americanas durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, em 2020. O simbolismo do ataque aprofunda ainda mais o peso político e histórico do episódio.
Retaliações e risco de conflito regional ampliado
O ataque ocorre em meio à escalada iniciada após ofensivas americanas e israelenses contra o Irã. Desde então, o regime dos aiatolás iniciou movimentos de retaliação contra países do Oriente Médio que abrigam bases militares dos Estados Unidos, como Emirados Árabes Unidos, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
No domingo (1º), a mídia estatal iraniana anunciou que o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, estaria entre as vítimas dos ataques. A informação provocou uma onda de incertezas e levou o Irã a ameaçar lançar a “ofensiva mais pesada” de sua história.
O presidente iraniano Masoud Pezeshkian declarou que o país considera a vingança contra Israel e os Estados Unidos um “direito e dever legítimo”.
Em resposta, Trump elevou o tom. “É melhor que eles não façam isso, porque se fizerem, nós os atingiremos com uma força nunca antes vista”, afirmou.
Um mundo em alerta
O ataque no Oceano Índico muda o patamar da crise. Não se trata apenas de bombardeios ou confrontos indiretos. O uso de torpedo por submarino contra um navio de guerra resgata um tipo de ofensiva que o mundo não via desde o maior conflito do século XX.
Quando potências militares cruzam esse tipo de limite, o impacto não é apenas regional. Ele reverbera nos mercados, na diplomacia e, sobretudo, na sensação de segurança global.
Em um cenário onde cada movimento pode desencadear respostas em cadeia, o mundo observa com apreensão. Porque, quando submarinos entram em ação e líderes falam em “força nunca antes vista”, o que está em jogo deixa de ser apenas estratégia militar, passa a ser o futuro da estabilidade internacional.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Departamento de Defesa dos EUA













