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Tarcísio ataca Lula e PT e mantém discurso eleitoral em suspenso, avaliam aliados

Críticas nas redes em sequência são vistas como estratégia calculada do governador, que preserva espaço para 2026 sem aderir formalmente a um nome da direita.

Em política, o silêncio absoluto pode ser tão estratégico quanto o ataque direto. E, nos bastidores do Palácio dos Bandeirantes, a avaliação é que Tarcísio de Freitas escolheu um caminho intermediário: falar, provocar, marcar posição, mas sem dar o próximo passo. As recentes investidas do governador de São Paulo contra o presidente Lula e o PT reacenderam o debate sobre suas intenções para 2026, ainda que, oficialmente, tudo permaneça em aberto.

Para auxiliares próximos, as críticas feitas por Tarcísio nas redes sociais representam um “jogo parado”. A leitura é de que o governador não abandona o campo eleitoral nem a narrativa da direita, mas também evita se comprometer explicitamente com o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). Segundo aliados, o cenário ainda é fluido e pode mudar, inclusive em relação a uma eventual candidatura à reeleição em São Paulo.

Ataques calculados em poucos dias

Em um intervalo de apenas quatro dias, Tarcísio publicou duas mensagens com forte teor político. No dia 1º de janeiro, ao desejar “Feliz Ano Novo” aos seguidores, associou a mensagem a um “Fora PT”. Já no dia 3, em meio à repercussão internacional da captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, divulgou um vídeo com imagens de Lula e falou em conveniência e omissão diante da ditadura no país vizinho.

Enquanto a primeira publicação já estava previamente preparada, a segunda foi gravada de forma inesperada durante uma viagem do governador aos Estados Unidos, onde passa férias. Tarcísio retorna às atividades em São Paulo no próximo dia 12.

Textos autorais e controle da mensagem

Segundo interlocutores, o governador costuma ouvir a equipe antes de gravar posicionamentos, mas mantém controle direto sobre o conteúdo que vai ao ar. A maior parte das publicações é escrita por ele próprio, com revisões pontuais dos auxiliares antes da versão final, que também passa por sua aprovação pessoal.

Além da equipe de Comunicação, Tarcísio tem recebido orientações do marqueteiro Pablo Nobel, o que reforça a percepção de que as mensagens seguem uma lógica estratégica, e não impulsiva.

Mudança de postura já vinha sendo desenhada

O aumento de posicionamentos sobre temas nacionais e internacionais, assim como os ataques ao campo político oposto, não surgiram agora. Em outubro, apurações já indicavam uma mudança de comportamento do governador nas redes.

À época, pessoas próximas relataram que a diretriz era adotar “posicionamentos claros e sem meios-termos”, sem abrir mão da imagem de gestor técnico: uma combinação que mantém diálogo com a base conservadora e, ao mesmo tempo, preserva margem de manobra para o futuro.

Ao criticar Lula e o PT com frequência, mas sem assumir uma candidatura ou endossar outra, Tarcísio sinaliza que segue no tabuleiro. Não corre, não avança, mas também não sai do jogo. Em um cenário ainda indefinido para 2026, essa postura pode ser menos hesitação e mais cálculo: o de quem prefere esperar o momento certo antes de dar o próximo passo.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo

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