Condenados no julgamento do plano de golpe, ex-ministro e deputado aguardam decisão final do STF após recursos.
O futuro de Anderson Torres e Alexandre Ramagem na Polícia Federal (PF) deve ser definido nos próximos meses. Condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do chamado “plano de golpe”, ambos correm o risco de perder definitivamente seus cargos públicos ainda este ano, caso seus recursos não revertam a decisão.
Defesa tenta evitar perda de cargo
Com a publicação do acórdão das condenações dos integrantes do “núcleo 1” do caso, as defesas de Torres, ex-ministro da Justiça e de Ramagem, deputado federal e ex-diretor da Abin, estão acelerando a apresentação de recursos ao Supremo.
Ambos são delegados de carreira da PF e, além das penas de prisão e inelegibilidade, foram punidos com a perda dos cargos públicos, o que os afastaria definitivamente das fileiras da corporação.
Segundo apuração da CNN Brasil, a decisão do STF prevê cumprimento imediato dentro da Polícia Federal, mas o efeito prático só ocorre após o trânsito em julgado, ou seja, quando todos os recursos se esgotarem. A Corte concedeu cinco dias para que as defesas apresentem suas contestações; etapa que antecede a análise final.
Expectativa de desfecho ainda em 2025
Nos bastidores da PF, há a avaliação de que o desfecho pode acontecer ainda este ano, caso o Supremo finalize a tramitação dos recursos. Já os advogados de defesa apostam em uma reviravolta jurídica que possa anular parte das condenações.
Enquanto isso, processos disciplinares internos contra Torres e Ramagem continuam em andamento dentro da corporação.
As condenações
No julgamento realizado em 11 de setembro, a Primeira Turma do STF condenou Anderson Torres a 24 anos de prisão, em regime inicial fechado. Já Alexandre Ramagem recebeu pena de 16 anos, um mês e 15 dias, também em regime fechado.
O deputado não foi condenado pelos crimes de dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado, o que reduziu a pena e o valor da multa em relação aos demais acusados.
Reflexão sobre a crise institucional
As possíveis perdas dos cargos de Torres e Ramagem simbolizam mais que um desfecho jurídico: representam o encerramento de um ciclo de influência política dentro da PF, marcado por tensões e disputas de poder.
O caso expõe, mais uma vez, como a linha entre a política e as instituições do Estado pode se tornar tênue, e como a responsabilidade individual de agentes públicos é essencial para preservar a confiança nas estruturas democráticas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Metrópoles













