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Trump faz discurso mais longo da história recente e eleva tom sobre Irã, tarifas e imigração

Presidente dos EUA falou por 1h47 no Estado da União e abordou tensão internacional, decisão da Suprema Corte e combate a cartéis.

Em um discurso marcado por declarações fortes e promessas contundentes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou ao Congresso o tradicional Estado da União e transformou a noite em uma vitrine de embates internos e externos. Durante 1 hora e 47 minutos, ele falou sobre política externa, imigração, tarifas e segurança, no que se tornou o pronunciamento anual mais longo desde pelo menos 1964; superando o próprio recorde estabelecido por ele anteriormente.

A fala ocorreu no Capitólio, em sessão conjunta do Congresso, e serviu para reforçar prioridades do governo e defender decisões recentes. Entre os temas mais sensíveis estiveram a tensão com o Irã, a relação com a Venezuela, a política tarifária e medidas contra imigração irregular.

Irã e ameaça nuclear

Um dos pontos centrais do discurso foi o programa nuclear do Irã. Trump voltou a classificar o país como o “patrocinador número um do terrorismo” e afirmou que jamais permitirá que Teerã desenvolva uma arma nuclear.

Segundo ele, o regime iraniano já teria desenvolvido mísseis capazes de ameaçar a Europa e bases americanas no exterior. O presidente afirmou ainda que há negociações em curso, mas declarou que ainda não ouviu do governo iraniano o compromisso explícito de que não buscará armamento nuclear.

Venezuela como “parceira”

Trump também chamou a Venezuela de “amiga e parceira”, mencionando o recebimento de mais de 80 milhões de barris de petróleo. A declaração ocorre após operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro.

Desde então, segundo o presidente americano, a relação entre os dois países entrou em nova fase. A presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, teria adotado postura de aproximação com Washington.

Tarifaço e Suprema Corte

Outro momento de destaque foi a crítica à decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou ilegal o chamado tarifaço imposto por Trump a outros países.

O presidente classificou a decisão como decepcionante. No plenário estavam o chefe da Corte, John Roberts, além dos juízes Elena Kagan, Brett Kavanaugh e Amy Coney Barrett. Três deles votaram contra as tarifas.

Voto por correio e imigração

No campo eleitoral, Trump voltou a defender mudanças nas regras de votação. Pediu que o Congresso aprove lei exigindo documento de identificação para eleitores e defendeu o fim do voto por correio, com exceções específicas.

O presidente também fez apelo por legislação que impeça estados de conceder carteiras de motorista comerciais a imigrantes irregulares. Durante o discurso, pediu que parlamentares se posicionassem sobre priorizar cidadãos americanos em detrimento de imigrantes em situação ilegal, sendo aplaudido por aliados.

Operação contra cartel mexicano

Na parte final, Trump citou a operação que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, líder do cartel Jalisco Nova Geração.

Segundo a Casa Branca, a ação foi realizada pelas Forças Armadas mexicanas com apoio de inteligência dos Estados Unidos. Trump relembrou que havia classificado cartéis mexicanos como organizações terroristas e descreveu o fentanil como uma “arma de destruição em massa”.

Ao final, o discurso reforçou a marca de um governo que aposta no confronto retórico e na ênfase à segurança e soberania. Mais do que apresentar balanços, Trump utilizou a tribuna para enviar recados claros a aliados, adversários e ao cenário internacional, deixando evidente que seu mandato segue pautado por posições firmes e polarizadoras.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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