Negociadores temem novos ataques e correm contra o tempo para evitar prejuízos ao comércio com os EUA.
A semana começa sob tensão em Brasília. Desde que o ex-presidente americano Donald Trump anunciou, na última sexta-feira (18), uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, o governo Lula se vê em uma corrida contra o tempo e contra a imprevisibilidade de um cenário político que mistura ideologia com interesses comerciais.
Internamente, a ordem é clara: blindar o comércio exterior da contaminação política. Mas a missão não é simples. Com a ofensiva de Trump ganhando fôlego, diplomatas e negociadores brasileiros tentam, a todo custo, convencer Washington de que o Brasil segue firme no estado democrático de direito e que as decisões do Judiciário, incluindo as sanções contra Jair Bolsonaro (PL), seguem critérios técnicos e legais.
O contraste de posições entre o Itamaraty e o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP)m que tem endossado os ataques de Trump ao Supremo Tribunal Federal, também acende um sinal de alerta. Para o governo brasileiro, o envolvimento político do parlamentar joga contra os esforços diplomáticos e fragiliza ainda mais as chances de reverter, ao menos parcialmente, as medidas protecionistas.
Com o prazo-limite se aproximando: até 1º de agosto, o governo aposta em uma estratégia dupla: deixar o presidente Lula (PT) como principal voz política nas articulações e colocar os empresários diretamente afetados como protagonistas das tratativas. A ideia é mostrar aos americanos que a decisão fere interesses econômicos concretos e bilaterais, e que retrocessos não beneficiam ninguém. Por ora, porém, reina a incerteza. Sem saber qual será o próximo passo de Trump, Brasília admite: o cenário é instável e pode mudar a qualquer momento. Mas recuar, garantem, não está nos planos
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













