Equipe acreana foi eliminada pelo Velo Clube na Copa do Brasil em meio a crise dentro e fora de campo.
A eliminação na Copa do Brasil acabou ficando em segundo plano diante de um episódio que gerou forte repercussão. O Vasco-AC, clube de Rio Branco, entrou em campo para enfrentar o Velo Clube e, antes da bola rolar, prestou homenagem a três jogadores presos sob suspeita de estupro coletivo. O gesto ocorreu em meio a uma fase conturbada que mistura desempenho esportivo e acusações graves fora das quatro linhas.
Em campo, a partida foi equilibrada. O time paulista saiu atrás, reagiu no tempo regulamentar e levou a decisão para os pênaltis. Nas cobranças, venceu por 3 a 2 e garantiu vaga na segunda fase da Copa do Brasil, com Rodrigo Alves convertendo a cobrança decisiva.
Bruno volta a ser protagonista
Um dos destaques da equipe acreana foi o goleiro Bruno Fernandes, condenado a 23 anos e um mês de prisão pelos crimes de homicídio qualificado, sequestro, cárcere privado e lesão corporal no caso de Eliza Samudio. Ex-jogador do Clube de Regatas do Flamengo, ele deixou a prisão em 2017 e está em liberdade condicional desde 2023.
Aos 41 anos, Bruno foi regularizado no Boletim Informativo Diário da CBF na quarta-feira (18). Na disputa por pênaltis, defendeu duas cobranças e marcou uma, mas não evitou a eliminação após três erros do Vasco-AC.
Crise fora de campo
O momento delicado do clube vai além da derrota. Quatro jogadores do elenco estão presos sob suspeita de estupro coletivo contra duas mulheres dentro do alojamento do time.
Antes da partida, o elenco prestou homenagem a três dos quatro atletas detidos. Alex Pires Júnior, conhecido como Lekinho, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Erick Luiz Serpa se apresentaram à Polícia Civil na última terça-feira (17). A homenagem provocou críticas nas redes sociais e ampliou a repercussão do caso.
Em nota publicada nas redes sociais, o Vasco-AC afirmou que “adotou medidas administrativas internas para apuração dos fatos e permanece à disposição para colaborar integralmente com as autoridades”.
O episódio escancara uma ferida que vai além do futebol. Quando o esporte, que deveria representar disciplina, exemplo e superação, se mistura com acusações tão graves, a sociedade se vê diante de um debate inevitável sobre responsabilidade, ética e os limites da tolerância. Mais do que o resultado no placar, o que está em jogo é a credibilidade de instituições que influenciam milhares de torcedores; dentro e fora dos estádios.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Vasco-AC













