Segundo o presidente americano, acordo teria sido acertado com Delcy Rodríguez, que assumiu o comando interino do país após a detenção de Nicolás Maduro.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (7) que a Venezuela estaria disposta a repassar entre 30 milhões e 50 milhões de barris de petróleo para venda no mercado americano. Segundo ele, o entendimento teria sido firmado com Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência do país após a detenção de Nicolás Maduro.
Em publicação na rede Truth Social, Trump classificou o produto como um “petróleo de alta qualidade, autorizado nos Estados Unidos”. O presidente americano também declarou que Washington ficará responsável por controlar os recursos obtidos com a comercialização, alegando que o dinheiro será utilizado “em benefício do povo venezuelano e dos Estados Unidos”.
O anúncio ocorre poucos dias após a captura de Nicolás Maduro, no último dia 3 de janeiro, durante uma operação militar em Caracas e regiões próximas. A ação, segundo informações divulgadas pelo próprio governo americano, deixou mais de 50 mortos, entre eles agentes cubanos que integravam o esquema de segurança do então presidente venezuelano.
De acordo com Trump, o Departamento de Energia, comandado pelo secretário Chris Wright, será responsável por executar de forma imediata o plano de extração e logística do petróleo. Os barris deverão ser transportados em petroleiros diretamente para portos dos Estados Unidos, embora não tenha sido informado um cronograma para o início das operações.
O comunicado foi feito cerca de 24 horas após Delcy Rodríguez, até então vice-presidente de Maduro, assumir o comando do país de forma provisória. O governo norte-americano reconheceu rapidamente sua liderança e passou a tratá-la como interlocutora oficial, reivindicando “acesso total” ao petróleo e a outros recursos estratégicos da Venezuela.
A Casa Branca afirmou ainda que Delcy tem demonstrado disposição para cooperar com Washington. A presidente interina, por sua vez, sinalizou abertura para uma agenda conjunta, sem deixar de defender o retorno de Nicolás Maduro ao poder.
Apesar de deter as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela enfrenta há anos uma forte queda na produção. Especialistas atribuem o cenário a sanções internacionais, falta de investimentos e à deterioração da infraestrutura do setor energético.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/DOUG MILLS / POOL /AFP













