Banqueiro do Banco Master e Fabiano Zettel deixaram o CDP de Guarulhos e seguiram para a Penitenciária 2 de Potim, em meio ao avanço das investigações da Operação Compliance Zero.
A queda de um dos nomes mais conhecidos do sistema financeiro brasileiro ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (05). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido para uma penitenciária no interior de São Paulo poucas horas depois de passar a primeira noite preso. O deslocamento marca mais um passo em um caso que mistura suspeitas de fraudes bilionárias, conexões políticas e uma investigação que vem abalando os bastidores do mercado financeiro.
Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, deixaram o Centro de Detenção Provisória de Guarulhos na manhã desta quinta-feira (5) e foram levados para a Penitenciária 2 de Potim, no interior paulista. Ambos haviam sido presos no dia anterior durante a nova fase da operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema bilionário envolvendo o banco.
Transferência e início do cumprimento da prisão
A transferência ocorreu nas primeiras horas do dia e percorreu cerca de 150 quilômetros entre Guarulhos e Potim. Ao chegar à unidade prisional, os dois passaram pelos procedimentos padrão do sistema penitenciário paulista.
Segundo informações da investigação, Vorcaro deve permanecer inicialmente em cela de isolamento: protocolo comum para novos detentos, antes de ser encaminhado ao pavilhão do regime fechado. A penitenciária, inaugurada em 2002, tem capacidade para mais de 800 presos e costuma receber detentos envolvidos em casos de grande repercussão nacional.
A prisão preventiva foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, relator do caso na Corte.
O que investiga a Operação Compliance Zero
A detenção faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um complexo esquema financeiro que teria movimentado bilhões de reais por meio de títulos de crédito considerados falsos ou sem lastro, além de suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e invasão de sistemas informáticos.
De acordo com os investigadores, o grupo investigado teria mantido operações financeiras irregulares mesmo após a primeira prisão do banqueiro, ocorrida em 2025. Relatórios da Polícia Federal indicam ainda que recursos bilionários teriam sido ocultados em contas de terceiros, estratégia que dificultaria o rastreamento das movimentações financeiras.
Como parte das medidas cautelares, a Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores que podem chegar a cerca de R$ 22 bilhões, considerados ligados ao esquema investigado.
Defesa nega irregularidades
A defesa de Vorcaro afirma que o empresário sempre colaborou com as autoridades e nega qualquer prática ilegal na condução dos negócios do banco. Os advogados sustentam que as acusações serão esclarecidas ao longo do processo.
Já a defesa de Zettel informou que ele se colocou à disposição da Justiça, embora ainda não tenha tido acesso integral aos autos da investigação.
Um caso que ainda promete novos desdobramentos
A transferência para o sistema penitenciário marca apenas mais um capítulo de uma investigação que ainda está longe do fim. Nos bastidores de Brasília e do mercado financeiro, cresce a expectativa sobre quais outras conexões podem surgir à medida que as apurações avançam.
No centro dessa história está uma pergunta que ainda ecoa: até onde pode chegar um escândalo que começou em operações financeiras suspeitas e agora expõe as engrenagens ocultas de poder, dinheiro e influência no país. Para muitos observadores, o que já veio à tona pode ser apenas o começo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Instagram













