Sanções dos Estados Unidos são vistas como cada vez mais prováveis e ampliariam cenário já sufocante para o país.
O Brasil caminha em um terreno cada vez mais estreito e delicado. O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em curso no STF, pode ser o gatilho para que os Estados Unidos apliquem novas sanções contra autoridades brasileiras e, até mesmo, contra o próprio país. Caso isso se confirme, o cerco político e econômico se tornará ainda mais sufocante.
Pressão crescente de Washington
Bancos brasileiros já estão sendo questionados por autoridades do Departamento do Tesouro dos EUA sobre o cumprimento da Lei Magnitsky. Até agora, ela foi aplicada somente contra o ministro Alexandre de Moraes, mas os sinais indicam que outras medidas podem vir. Essa prática costuma ser o primeiro passo quando há intenção de punir instituições financeiras que mantenham vínculos com pessoas ou entidades já sancionadas.
Comércio também na mira
Outro ponto de pressão vem da investigação aberta pelo Representante de Comércio dos EUA contra práticas brasileiras. O processo tem se mostrado agressivo e vem sendo impulsionado por empresas americanas de vários setores, inclusive concorrentes diretos do agronegócio, que enxergam na atual crise política uma oportunidade para ganhar terreno sobre exportadores brasileiros.
Tentativas frustradas de diálogo
Nesta quinta – feira (4), representantes de empresas brasileiras, com apoio da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos, buscaram interlocução no Departamento de Estado americano. Foram recebidos com formalidades, mas ouviram um recado duro: a crise nas relações entre os dois países é de natureza exclusivamente política e só poderá ser resolvida com diálogo direto entre Donald Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva: um contato que, até aqui, Lula considera inútil tentar estabelecer.
Um impasse sem precedentes
Negociadores internacionais experientes reconhecem que jamais presenciaram um cenário tão desgastante na história recente das relações entre Brasil e Estados Unidos. E a percepção geral é de que o quadro tende a piorar. A sensação é de um país encurralado entre disputas políticas internas e pressões externas que testam, dia após dia, sua resiliência.
Texto: Daniela Castelo Branco/Com informações da CNN Brasil
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