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Cúpula do Congresso evita cerimônia de sanção do IR em meio a mal-estar com o governo

Ausência de Davi Alcolumbre e Hugo Motta é vista como recado político ao Planalto durante momento de tensão com o Legislativo.

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiram não comparecer à cerimônia de sanção do projeto que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. O evento, marcado para a manhã desta quarta-feira (26) no Palácio do Planalto, era tratado como uma vitrine do governo para celebrar uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Embora ambos estejam em Brasília, Alcolumbre e Hugo optaram por cumprir outras agendas paralelas durante a cerimônia. A ausência simultânea dos dois é interpretada, dentro do próprio governo e por parlamentares, como um sinal claro do desgaste na relação entre o Planalto e o Congresso.

A expectativa da equipe presidencial era de um evento robusto, com grande presença de parlamentares que participaram diretamente da costura política que viabilizou a aprovação unânime da proposta nas duas casas. Nos bastidores, contudo, a avaliação é de que o gesto reforça o recado de insatisfação que líderes do Legislativo têm enviado ao governo.

A cúpula do Congresso destaca que o Parlamento teve papel determinante não apenas na aprovação do texto, mas também na ampliação da faixa de isenção para R$ 7.350, de forma escalonada: movimento visto como uma entrega legislativa relevante para o governo.

A relação entre o presidente da Câmara e o PT azedou ainda mais na semana passada, após Hugo Motta romper com o líder petista na Casa, Lindbergh Farias (RJ). O deputado afirma que o partido estaria incentivando ataques contra ele nas redes sociais, algo que a sigla nega.

Hugo também enfrenta desgaste com a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, desde a escolha do deputado Guilherme Derrite (PP-SP) como relator do PL Antifacção, aprovado recentemente pela Câmara; decisão que contrariou expectativas do Planalto e acentuou a tensão política.

A ausência das duas principais lideranças do Congresso na cerimônia, portanto, soma mais um capítulo à crise de relacionamento que o governo tenta contornar para evitar travas na agenda legislativa dos próximos meses.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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