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Brasil busca acordo com EUA para rastrear lavagem de dinheiro e entrada ilegal de armas, diz Haddad

Ministro afirma que crime organizado usa fundos em Delaware para evasão de divisas e envia armas americanas ao país escondidas em cargas lícitas.

O Brasil pretende firmar um acordo de cooperação com os Estados Unidos para combater mecanismos financeiros utilizados pelo crime organizado e a entrada ilegal de armas de origem americana no país. A informação foi confirmada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quinta-feira (27).

Segundo ele, organizações criminosas brasileiras têm recorrido a fundos de investimento nos EUA para lavar dinheiro e realizar operações de evasão de divisas, especialmente no estado de Delaware, conhecido por sua legislação fiscal favorável e amplamente usado como paraíso fiscal corporativo.

Haddad afirmou que criminosos enviam recursos ilícitos para fundos registrados no estado e, posteriormente, fazem o dinheiro retornar ao Brasil como investimentos aparentemente legais. Paralelamente, afirmou que armas americanas estão entrando no país escondidas em contêineres que transportam mercadorias declaradas como lícitas.

O governo prepara um relatório detalhado da Receita Federal, com imagens, vídeos e documentos que demonstram como esses armamentos chegam ao Brasil e como os fundos estão sendo usados para movimentar recursos ilegais. O material será enviado às autoridades americanas como parte do pedido de cooperação.

As declarações ocorreram após o Ministério Público de São Paulo deflagrar a Operação Poço de Lobato, que mira o Grupo Refit, do setor de combustíveis. A ação tem como alvo 190 empresas e pessoas investigadas por crimes contra a ordem econômica e tributária, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Segundo o MPSP, o esquema teria causado prejuízo estimado em R$ 26 bilhões aos cofres públicos.

A expectativa é que o acordo com os EUA ajude a fechar brechas usadas por esses grupos para movimentar recursos e traficar armas, fortalecendo as ações de inteligência e repressão ao crime organizado.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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