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Augusto Heleno deverá fazer perícia médica antes de decisão sobre sua custódia

STF exige laudo completo da PF após defesa alertar que saúde do general pode se agravar em regime fechado.

O quadro de saúde de Augusto Heleno voltou a ser tema de intenso debate no ambiente jurídico. O ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal realize, em até 15 dias, uma perícia médica completa para avaliar se há risco de agravamento do estado de saúde do general: atualmente detido em regime fechado. A solicitação surge após a defesa apontar que manter Heleno preso poderia representar perigo para sua saúde física e cognitiva.

O que a perícia deve avaliar

O laudo exigido por Moraes deve incluir histórico médico, exames laboratoriais (como função tireoidiana e níveis de vitamina B12), avaliações neurológicas e neuropsicológicas, além de eventuais exames de imagem: como ressonância magnética ou PET. A investigação buscará confirmar o diagnóstico de demência mista (Alzheimer e vascular), alegado pela defesa.

Divergências sobre o diagnóstico

A controvérsia começou porque, no exame de corpo de delito realizado após a prisão, Heleno teria informado que convivia com Alzheimer desde 2018. Mas a defesa afirma que o diagnóstico só foi formalizado em janeiro de 2025, com a documentação mais recente a partir de dezembro de 2024. O STF, ao analisar o pedido de prisão domiciliar humanitária, exigiu comprovações médicas anteriores a 2024 que não constam nos autos.

Apoio institucional ao pedido de prisão domiciliar

A Procuradoria-Geral da República (PGR) já se manifestou favoravelmente à conversão da pena para prisão domiciliar, considerando a idade de Heleno (78 anos) e o quadro clínico com comorbidades graves. A instituição argumenta que o ambiente prisional fechado pode ser incompatível com as necessidades de saúde do general.

O que está em jogo

A decisão de Moraes, que aguarda o resultado da perícia, definirá se Heleno segue preso em regime fechado ou se terá direito a prisão domiciliar humanitária. O caso levanta um dilema difícil: garantir a segurança pública e a responsabilização judicial num processo considerado de grande relevância para a democracia, ou assegurar atenção médica adequada a um condenado de idade avançada e quadro de saúde delicado.

Acompanhar esse desfecho é acompanhar o reflexo da justiça e da dignidade humana, num dos casos mais sensíveis da atualidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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