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Relator chama anistia a Bolsonaro de “sonho de verão” e descarta perdão amplo

Paulinho da Força afirma que projeto prevê apenas redução de penas dos condenados do 8 de Janeiro e impõe limite ao PL para que proposta avance na Câmara.

Em meio a disputas, expectativas e recados cada vez mais diretos nos bastidores de Brasília, a discussão sobre a anistia aos condenados pelos atos do 8 de Janeiro ganhou um novo capítulo nesta semana. O relator do projeto de lei, deputado Paulinho da Força, foi categórico ao afastar qualquer possibilidade de perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Para ele, a expectativa alimentada por aliados é apenas um “sonho de verão”, expressão que resume o tom duro adotado contra o núcleo mais fiel do bolsonarismo.

Paulinho deixou claro que o texto em construção não trata de anistia ampla, geral e irrestrita. Segundo o parlamentar, a proposta caminha apenas para uma redução parcial de penas dos condenados, bem distante do perdão total defendido por aliados de Bolsonaro, especialmente após o senador Flávio Bolsonaro associar sua pré-candidatura à Presidência ao tema da anistia.

Relator impõe condição ao PL para votação

Do outro lado da negociação, Paulinho da Força fixou uma condição objetiva para que o projeto avance. Segundo ele, se o Partido Liberal aceitar votar o relatório como está, sem emendas ou destaques, a matéria poderá ser pautada conforme acordo com o presidente da Câmara, Hugo Motta. Caso contrário, não haverá votação.

O relator reforçou que qualquer tentativa de ampliar o alcance do perdão inviabiliza o avanço do texto. Para ele, a proposta não comporta mudanças que autorize anistia total a envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.

Diálogo com Flávio e tensão com bancada do PL

Em setembro, Paulinho se reuniu com Flávio Bolsonaro em seu gabinete. Após o encontro, o senador afirmou que concordava com a pauta da anistia, mas que apresentaria emendas para garantir que o projeto não se limitasse apenas a uma redução de penas.

Antes mesmo dessa conversa, o relator já havia enfrentado um ambiente hostil ao se reunir com a bancada do PL. Na ocasião, foi alvo de críticas e ataques por parte de parlamentares bolsonaristas, o que levou o líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante, a pedir desculpas publicamente.

Sóstenes repudiou os ataques ao relator e afirmou que não se pode transformar o debate em palco de confronto político vazio. O gesto buscou reduzir a tensão, mas deixou claro o nível de desgaste em torno do tema.

Prioridade política e ironia da base governista

No último sábado, um dia depois de lançar sua pré-candidatura à Presidência da República, Flávio Bolsonaro afirmou que a aprovação da anistia ainda neste ano é prioridade absoluta. A declaração gerou reação imediata da base governista.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães, ironizou a fala e disse que não existe ambiente político no país para esse tipo de votação. Segundo ele, a simples tentativa de avançar com essa pauta poderia, inclusive, fortalecer ainda mais o presidente Lula nas pesquisas.

No centro desse embate, a anistia se transforma em mais do que um projeto de lei. Ela virou símbolo de disputa, de narrativa e de poder. Entre sonhos, limites e recados diretos, o Congresso segue dividido. Enquanto isso, o país observa, atento, cada movimento que tenta reescrever um dos capítulos mais dramáticos da sua história recente.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados

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