Atos contra anistia e dosimetria expõem rejeição popular a pautas do Legislativo e ampliam pressão por agenda positiva.
As ruas falaram alto neste domingo e o recado foi direto. Em meio a faixas, palavras de ordem e caminhadas que tomaram as principais avenidas do país, manifestantes expressaram indignação e preocupação com os rumos do Congresso Nacional. Para aliados do governo, os protestos tiveram peso, dimensão nacional e revelaram um sentimento claro de desgaste da imagem do Legislativo diante de pautas que não dialogam com o clamor social.
Os atos ocorreram em todas as capitais brasileiras e reuniram pessoas contrárias à anistia dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 e ao projeto de lei que reduz o tempo de prisão de condenados por tentativa de golpe de Estado, conhecido como “dosimetria especial”. Em diferentes cidades, o tom foi de crítica direta ao Congresso, com cobranças por responsabilidade institucional e respeito à democracia.
Avaliação do governo e leitura política
Para o deputado federal Rogério Correia (PT-MG), a mobilização foi expressiva e revela um repúdio evidente a esse tipo de pauta. Na avaliação do parlamentar, temas como anistia e dosimetria não despertam apoio popular e acabam ampliando o desgaste do Congresso, especialmente da Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a reação das ruas deve servir de alerta para uma mudança de rumo na agenda legislativa. A cobrança, afirma, é para que o Parlamento volte seus esforços a propostas que tragam impacto social e econômico concreto para a população.
Cobrança por pauta positiva
Rogério Correia defende que a Câmara priorize, ainda nesta semana, projetos considerados estruturantes. Entre eles, a votação do Orçamento da União, que entra em sua reta final, além da revisão de renúncias fiscais para ampliar recursos destinados a investimentos sociais.
O deputado também cita a necessidade de avançar em temas como o fundo social, pontos pendentes da reforma tributária e propostas ligadas à segurança pública, como o PL anti-facção, ajustado no Senado, e a PEC da Segurança. Outro ponto lembrado foi o Plano Nacional de Educação, que já estaria pronto para votação, mas segue parado.
Pressão direta sobre a Câmara
O clima de insatisfação ficou ainda mais evidente em Brasília e em Minas Gerais, onde cartazes exibiam a imagem do presidente da Câmara, Hugo Motta (União-PB), com críticas duras. Parte dos manifestantes o acusou de trair expectativas ao conduzir votações alinhadas a interesses da oposição, apesar de ter sido eleito com apoio da base governista.
A leitura entre aliados do governo é de que esse descompasso entre a agenda do Parlamento e o sentimento das ruas aprofunda a crise de imagem do Congresso e dificulta a condução de temas sensíveis.
Momento decisivo no Congresso
A mobilização nacional ocorre em um momento crucial da agenda legislativa, com votações importantes pendentes e negociações delicadas em curso. Para analistas, a pressão popular tende a pesar nas decisões internas, sobretudo quando a opinião pública passa a enxergar o Congresso como distante das prioridades reais do país.
Entre ruas cheias e plenários tensionados, o recado deixado pelos manifestantes ecoa além dos atos: a democracia exige escuta, responsabilidade e escolhas que reflitam o interesse coletivo. Ignorar esse sinal pode custar caro, não apenas politicamente, mas na confiança já fragilizada entre representantes e sociedade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados













