Em pré-campanha discreta, senador intensifica diálogo com investidores e apresenta plano de ajuste fiscal e redução da burocracia.
Em meio a um cenário político ainda indefinido, mas carregado de expectativas, o senador Flávio Bolsonaro tem buscado ocupar espaço longe dos palanques tradicionais e mais perto de mesas de reunião com investidores. O movimento revela não apenas uma estratégia eleitoral, mas uma tentativa clara de diálogo com um setor que historicamente observa com cautela qualquer sinal vindo da política. É nesse contexto que o parlamentar passou a defender o chamado “tesouraço” como eixo central de sua proposta econômica.
O senador, pré-candidato à Presidência da República em 2026, tem apresentado a empresários e representantes do mercado financeiro um discurso focado em redução de impostos, ajuste fiscal e diminuição da máquina pública. A proposta inclui, segundo ele, o corte de normas consideradas excessivamente burocráticas e que, na avaliação do grupo, travam o crescimento da iniciativa privada no país.
Plano econômico e discurso ao mercado
Nos encontros reservados, Flávio tem sustentado que o “tesouraço” seria uma forma de sinalizar responsabilidade fiscal e previsibilidade econômica. A ideia é reduzir a resistência do mercado a seu nome e se posicionar como uma alternativa mais moderada dentro do campo da direita, com foco em eficiência administrativa e estímulo ao setor produtivo.
O senador também defende a extinção, por decreto, de legislações que ampliaram a burocracia estatal nos últimos anos. O argumento é de que o excesso de regras dificulta investimentos, encarece a produção e afasta o Brasil de um ambiente mais competitivo no cenário global.
Road show e aproximação com investidores
Desde o início do mês, Flávio tem feito um verdadeiro road show, com reuniões e almoços estratégicos com empresários e investidores alinhados à direita. Nesta quarta-feira (17), ele participa de mais um encontro com um grupo do setor financeiro, reforçando a ofensiva para melhorar sua imagem junto a esse público.
A movimentação faz parte de um esforço para mostrar consistência técnica e capacidade de diálogo, atributos considerados fundamentais para quem pretende disputar o Palácio do Planalto. Aliados avaliam que o senador tenta se desvincular de uma imagem exclusivamente ideológica e construir um perfil mais pragmático.
Herança liberal e agenda internacional
No campo econômico, Flávio tem resgatado propostas defendidas pelo ex-ministro da Economia Paulo Guedes durante o governo de Jair Bolsonaro, mas que não avançaram à época. A sinalização é clara: manter uma agenda liberal, com cortes de gastos e foco no mercado, mas tentando corrigir entraves políticos que impediram sua implementação no passado.
Além do circuito interno, o senador prepara uma agenda internacional em busca de apoio à sua pré-candidatura. A estratégia inclui aproximação com lideranças de direita no exterior, como o presidente da Argentina, Javier Milei, e a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. O giro internacional também terá como pano de fundo a defesa de Jair Bolsonaro, preso desde novembro sob acusação de tentativa de golpe de Estado.
Ao apostar no discurso econômico como principal ponte com o mercado, Flávio Bolsonaro sinaliza que a disputa de 2026 começa a ser construída muito antes das urnas. Resta saber se o “tesouraço” será visto apenas como um slogan de campanha ou como um projeto capaz de convencer investidores e eleitores de que há, de fato, um caminho possível entre ideologia, governabilidade e futuro econômico para o país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













