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Petróleo e gás disparam com guerra no Oriente Médio e bolsas globais afundam

Escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã pressiona energia, derruba mercados e reacende temor de nova crise inflacionária global.

O mundo acordou mais caro e mais tenso nesta segunda-feira (02). A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã não ficou restrita ao campo de batalha. Ela atravessou oceanos, invadiu pregões e chegou ao bolso de milhões de pessoas. O petróleo disparou, o gás natural explodiu e as bolsas globais mergulharam em queda, refletindo o medo de que o conflito se transforme em uma crise econômica de grandes proporções.

Desde sábado, quando os ataques foram lançados e provocaram a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, o mercado passou a precificar um cenário que parecia distante, mas nunca impossível: a desestabilização de uma das regiões mais estratégicas para o abastecimento energético do planeta.

Energia sob tensão

O barril do Brent, referência internacional, chegou a saltar quase 14% na abertura dos mercados, enquanto o WTI avançou cerca de 12%. Por volta das 8h15 GMT, o Brent era negociado perto de 80 dólares. O movimento é impulsionado pelo temor de interrupções no transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, corredor por onde passa aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo.

A situação ganhou contornos ainda mais delicados após ataques a navios na região. A Organização Marítima Internacional recomendou que companhias evitem a área, enquanto seguradoras elevaram drasticamente os custos de cobertura. Na prática, operar ali ficou mais caro e mais arriscado.

O gás natural também entrou na espiral de alta. O contrato futuro do TTF holandês, referência na Europa, disparou mais de 20%. O receio é de que as exportações de gás natural liquefeito do Golfo, especialmente do Catar, sejam afetadas.

Bolsas no vermelho

O impacto foi imediato nos mercados acionários. Na Ásia, a Bolsa de Tóquio caiu 1,4% e a Bolsa de Hong Kong recuou 2,1%. A exceção foi a Bolsa de Xangai, que fechou com leve alta.

Na Europa, o cenário também foi de perdas: Bolsa de Paris, Bolsa de Frankfurt, Bolsa de Milão, Bolsa de Londres e Bolsa de Madri operaram em queda nas primeiras horas do dia.

O setor mais atingido foi o aéreo e de turismo. O aumento do combustível e a instabilidade geopolítica derrubaram ações como as da Air France-KLM e da Lufthansa. Em contrapartida, petroleiras como Shell, BP, Repsol e TotalEnergies avançaram com força.

Risco de petróleo acima de US$ 100

Analistas já falam abertamente na possibilidade de o barril ultrapassar os 100 dólares caso haja interrupção prolongada do fluxo em Ormuz ou ataques diretos a instalações petrolíferas. O temor não é apenas energético. É inflacionário.

Da última vez que o petróleo superou essa marca, no início da guerra na Ucrânia, o mundo enfrentou uma onda de inflação persistente, com reflexos em alimentos, transporte e custo de vida. Agora, o risco volta ao radar.

Enquanto isso, investidores buscam proteção. O ouro subiu cerca de 2%, reforçando seu papel histórico de porto seguro em tempos de incerteza. O dólar também se valorizou.

No fim das contas, a escalada no Oriente Médio não é apenas uma disputa geopolítica distante. Ela ecoa nos postos de gasolina, nas passagens aéreas, no supermercado e na confiança de famílias e empresas. Em um mundo interligado, cada explosão além-mar tem o poder de atravessar fronteiras invisíveis e lembrar que estabilidade econômica é, antes de tudo, um bem frágil.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: DivulgaçãoEFE/EPA/JESSICA LEE

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