Polícia aponta que idoso sabia das agressões contra a adolescente de 16 anos e não tomou providências para impedir a violência.
A morte brutal da adolescente Marta Isabelle dos Santos Silva, de 16 anos, continua a revelar detalhes que chocam e revoltam. A cada avanço das investigações, surgem novos elementos que ampliam a dimensão da tragédia e expõem um cenário de violência dentro do próprio ambiente familiar.
Na noite de sexta-feira (6), em Porto Velho, a Polícia Civil de Rondônia prendeu o avô da jovem, Manoel José S., de 60 anos. A informação foi confirmada neste sábado (7) pela delegada Leisaloma Carvalho, responsável pelas investigações.
Prisão após decisão judicial
Segundo a delegada, a polícia solicitou à Justiça a prisão preventiva do idoso após reunir elementos que indicam que ele tinha conhecimento das agressões sofridas pela neta.
O pedido foi aceito e o mandado cumprido durante a noite. Para os investigadores do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, a omissão do avô diante da situação pode ter contribuído para o desfecho trágico.
Com a nova prisão, quatro familiares passaram a figurar entre os investigados no caso:
• Callebe José da Silva, pai da adolescente
• Ivanice Farias de Souza, madrasta
• Benedita Maria da Silva, avó paterna
• Manoel José S., avô
Antes da prisão do idoso, o pai, a madrasta e a avó paterna já estavam detidos por suspeita de participação direta ou omissão nas agressões.
Acusações e investigação
De acordo com a investigação, o pai e a madrasta devem responder por crimes graves, incluindo tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro.
A apuração aponta que a adolescente era mantida presa dentro de casa e submetida a agressões constantes.
Quando a Polícia Militar de Rondônia chegou ao local, encontrou a jovem deitada em uma cama, coberta por um lençol e usando fralda descartável.
O laudo inicial revelou um quadro extremamente grave: Marta Isabelle estava desnutrida, com ossos expostos, apresentava ferimentos com presença de larvas e sinais que indicavam que havia permanecido imobilizada por vários dias.
Condições desumanas
Os investigadores também apuraram que a adolescente era amarrada com fios dentro da casa. Além disso, era obrigada a comer restos de comida, passava longos períodos sem água e não recebia cuidados básicos de higiene.
Mesmo diante de ferimentos graves e do evidente estado de saúde debilitado, a jovem não recebeu qualquer tipo de atendimento médico.
O caso segue sob investigação e continua a mobilizar autoridades e a sociedade diante da violência extrema revelada dentro de um ambiente que deveria representar proteção. A história de Marta Isabelle deixa um rastro de dor e indignação e levanta uma pergunta inevitável: quantos sinais de sofrimento foram ignorados antes que fosse tarde demais para salvá-la.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rondoniagora













