Levantamento divulgado nesta quinta-feira (26) revela percepção elevada de envolvimento de instituições no escândalo que atinge o Judiciário.
A confiança nas instituições brasileiras volta ao centro do debate e, desta vez, com números que chamam atenção. Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira, 26 de março de 2026, mostra que quase metade dos brasileiros acredita que o Supremo Tribunal Federal está diretamente envolvido no escândalo do Banco Master, ampliando a pressão sobre a mais alta Corte do país.
De acordo com o levantamento da AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, 47% dos entrevistados consideram que o STF está “totalmente envolvido” no caso. Outros 10% avaliam que o tribunal está “muito envolvido”, enquanto 12% veem algum nível de participação. Apenas 10% não enxergam ligação, e 8% não souberam opinar.
Percepção negativa se estende a outras instituições
O estudo também mediu como a população enxerga o envolvimento de outros órgãos. O Congresso Nacional aparece com 45% de percepção de “total envolvimento” e 26% como “muito envolvido”.
Já o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é apontado por 43% como “totalmente envolvido”, enquanto 23% dizem não ver relação com o caso.
O Banco Central do Brasil também aparece no levantamento, com 28% dos entrevistados indicando “total envolvimento” e 16% “muito envolvido”.
Nos âmbitos estaduais e municipais, a percepção também é relevante: 25% apontam envolvimento total e outros 18% consideram essas esferas “muito envolvidas”.
Como foi feita a pesquisa
O levantamento ouviu 5.028 pessoas entre os dias 18 e 23 de março de 2026, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de um ponto percentual, com nível de confiança de 95%.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04227/2026.
O que colocou o STF no centro da crise
O caso ganhou novos contornos após revelações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes. Veio à tona a existência de um contrato milionário entre o Banco Master e a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado.
Além disso, mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Moraes, no dia da primeira prisão do empresário em novembro de 2025, aumentaram a repercussão e levantaram questionamentos.
Outro ponto sensível envolve o ministro Dias Toffoli. Uma empresa da qual ele é sócio teria recebido recursos de um fundo ligado ao banco. Diante disso, Toffoli deixou a relatoria das investigações e posteriormente se declarou suspeito para atuar no caso.
Pressão política cresce nos bastidores
Atualmente, 97 pedidos de impeachment contra ministros do STF aguardam andamento no Senado. Somente em 2026, já foram protocoladas 11 novas solicitações, sendo seis contra Moraes e cinco contra Toffoli.
Dentro da própria Corte, a avaliação é de que a situação é grave. Ainda assim, não há, até o momento, uma estratégia clara para conter os impactos institucionais da crise.
No fim, mais do que percentuais, a pesquisa revela um sentimento que vai além dos números: o desgaste da confiança. Em um momento em que instituições deveriam representar estabilidade, o que se vê é um país questionando quem deveria ser seu maior guardião da Justiça e buscando respostas em meio a um cenário cada vez mais incerto.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo













