Estratégia inclui fortalecimento interno, novas filiações e tentativa de protagonismo em meio à reconfiguração política no estado.
A disputa por 2026 já começou e, em Rondônia, ela não vem apenas como um jogo político, mas como um verdadeiro teste de sobrevivência e identidade para partidos que buscam se reinventar diante de um eleitor cada vez mais atento. Nesse cenário, o Partido dos Trabalhadores (PT) dá sinais claros de que pretende voltar ao centro do debate estadual, apostando em uma estratégia ousada: lançar uma chapa própria e, possivelmente, dois candidatos ao Senado.
A movimentação, que ganhou força nos bastidores nos últimos dias, revela mais do que uma simples articulação eleitoral. Ela expõe uma tentativa de reconstrução política, de reafirmação de espaço e de reconexão com suas bases em um estado historicamente desafiador para a legenda.
Estratégia de independência e fortalecimento
De acordo com a reportagem publicada em 25 de março de 2026, atualizada na madrugada de 26 de março de 2026, o PT rondoniense trabalha para montar uma estrutura competitiva, sem depender de alianças tradicionais.
A base dessa estratégia está na pré-candidatura do ex-deputado federal Expedito Neto ao governo estadual, que já atua na construção de nominatas e na ampliação da presença do partido nos municípios.
Além disso, o partido tem investido na filiação de novos quadros e no resgate de lideranças históricas: um movimento que mistura renovação e experiência. Entre os nomes citados estão figuras conhecidas da política local, como o ex-prefeito Roberto Sobrinho, a deputada estadual Cláudia de Jesus e lideranças ligadas ao movimento sindical.
Dois nomes ao Senado: ousadia ou necessidade?
A possibilidade de lançar dois candidatos ao Senado não é apenas estratégica; ela dialoga diretamente com o modelo eleitoral de 2026, quando cada estado elegerá dois senadores.
Nesse contexto, o PT busca ocupar espaço em uma disputa que promete ser altamente fragmentada em Rondônia, com múltiplos grupos políticos tentando viabilizar candidaturas competitivas.
A ideia de chapa própria ao Senado também reflete uma tentativa de reduzir a dependência de alianças externas, especialmente em um momento em que antigos parceiros políticos podem seguir caminhos diferentes.
Rupturas e novos alinhamentos no cenário político
O movimento do PT ocorre em meio a uma reconfiguração importante no campo político rondoniense. Um dos sinais mais claros disso é o possível distanciamento de aliados históricos, como o ex-senador Acir Gurgacz, que pode caminhar politicamente ao lado do atual governador Marcos Rocha.
Essa mudança de eixo reforça a necessidade de o partido se reorganizar internamente e construir uma alternativa própria: não apenas para disputar, mas para permanecer relevante no cenário estadual.
Ao mesmo tempo, pesquisas recentes mostram um cenário aberto na corrida pelo governo, com diversos nomes competitivos e sem uma liderança absoluta consolidada, o que amplia as possibilidades para novas forças políticas se posicionarem.
Entre resistência e reconstrução
Mais do que uma estratégia eleitoral, o que se desenha é um momento de redefinição para o PT em Rondônia. Com tempo de televisão, acesso a recursos do fundo partidário e uma base histórica ainda presente, o partido aposta em um projeto de autonomia para tentar recuperar protagonismo.
Mas o desafio é grande. Em um estado marcado por disputas acirradas e mudanças rápidas de alianças, construir uma chapa competitiva exige mais do que estrutura; exige narrativa, conexão e confiança.
No fim das contas, o que está em jogo não é apenas quem ocupará cadeiras no Senado ou no governo. É a capacidade de um partido de se reinventar, de ouvir o eleitor e de mostrar que ainda tem algo a dizer. E, talvez, seja justamente nesse ponto que a eleição de 2026 comece a ser decidida: não nas articulações de bastidores, mas no sentimento de quem, lá na ponta, ainda espera acreditar na política outra vez.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Eu Ideal













