Após a derrota histórica de Jorge Messias no Senado, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, afirmou que a rejeição do indicado de Lula ao Supremo representa uma ofensiva política contra a democracia e comparou o episódio aos ataques de 8 de janeiro.
A rejeição de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal continua provocando fortes reações dentro do governo e da base aliada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta quinta-feira (30), o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), elevou o tom e classificou a derrota no Senado como o “rosto do golpe”, associando diretamente o episódio à mesma força política que, segundo ele, tentou romper a democracia brasileira em 8 de janeiro de 2023.
A declaração acontece menos de 24 horas após o Senado Federal barrar a indicação do advogado-geral da União por 42 votos a 34, em uma decisão considerada histórica, já que a Casa não rejeitava um nome indicado ao STF desde 1894.
Nos bastidores, o resultado segue sendo tratado como uma das maiores derrotas políticas do terceiro mandato de Lula.
“É a mesma força do 8 de janeiro”, diz deputado
Para Pedro Uczai, a rejeição não foi apenas uma derrota institucional, mas parte de uma articulação mais ampla contra o governo e contra o próprio Supremo Tribunal Federal.
“Essa rejeição é o rosto do golpe. É a mesma força que atacou as sedes dos Três Poderes no dia 8 de janeiro e que agora tenta enfraquecer a Suprema Corte”, afirmou o parlamentar.
Segundo ele, existe uma tentativa de enfraquecer as instituições e impedir que vozes comprometidas com a defesa da democracia ocupem espaços estratégicos no Judiciário.
Uczai também afirmou que setores da oposição temem figuras que defendem a Constituição e o Estado Democrático de Direito.
“Eles temem quem defende a democracia. Mas a soberania popular não será sequestrada por acordos de gabinete. A nossa Constituição é o escudo na defesa da cidadania e da liberdade”, declarou.
PT também reage ao PL da Dosimetria
Além da crítica à rejeição de Messias, o líder petista também comentou a articulação no Congresso para derrubar o veto de Lula ao chamado PL da Dosimetria, projeto que pode reduzir penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
A votação está prevista para esta quinta-feira (30) em sessão conjunta da Câmara e do Senado, e o governo já admite dificuldades para manter o veto presidencial.
Para Uczai, a tentativa de derrubar essa decisão representa mais um avanço contra a democracia e abre espaço para o enfraquecimento das instituições.
“Derrubar o veto é mais um ataque à democracia e cria brechas para a impunidade”, afirmou.
A proposta é defendida por parlamentares da oposição e por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, que argumentam que houve exagero nas penas aplicadas pelo Supremo aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes.
Clima de confronto político se intensifica
A fala de Pedro Uczai reforça o clima de forte polarização política que tomou conta de Brasília após a rejeição de Jorge Messias e a iminente votação do PL da Dosimetria.
Dentro do PT, cresce a avaliação de que há uma articulação coordenada entre setores da oposição bolsonarista e parte do Centrão para enfraquecer o governo Lula e impor derrotas estratégicas em série.
A própria deputada Gleisi Hoffmann já havia classificado a rejeição de Messias como resultado de um “grande acordão” com objetivos eleitorais e interesses pessoais.
Agora, com a possibilidade de uma nova derrota no Congresso, o Planalto enfrenta um cenário ainda mais sensível e desafiador.
“A resposta será nas ruas e nas redes”
Ao encerrar sua manifestação, Pedro Uczai afirmou que o governo e os movimentos aliados não pretendem recuar diante do que chama de ataques às instituições democráticas.
“O Brasil não vai recuar. Pelas instituições, pela história e pelo futuro: a resposta será nas ruas e nas redes. É hora de reagir. Pela democracia, hoje e sempre”, concluiu.
Em Brasília, cada voto tem peso institucional, mas também carrega símbolos que ultrapassam o plenário. Quando uma indicação ao Supremo é rejeitada e o debate sobre punições volta ao centro da política, o país não discute apenas nomes ou projetos de lei; discute o próprio limite entre justiça, poder e democracia. E, nesse cenário, cada decisão passa a ecoar muito além das paredes do Congresso.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Câmara dos Deputados













