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Alcolumbre freia avanço da PEC do fim da escala 6×1 e governo teme efeito cascata no Senado

Presidente da Casa evita definir cronograma para proposta e sinaliza preocupação com projetos que podem gerar forte impacto nas contas públicas.

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 ganhou força nos últimos meses e passou a mobilizar trabalhadores, parlamentares e o governo federal. No entanto, apesar da crescente pressão para que a proposta avance no Congresso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tem adotado uma postura cautelosa e evitado assumir compromissos sobre a tramitação da matéria, movimento que acendeu um alerta dentro do Palácio do Planalto.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que uma eventual aceleração da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) pode abrir caminho para a votação de outras iniciativas com elevado impacto fiscal, criando um cenário considerado delicado para as contas públicas.

Senado ainda não definiu calendário

Segundo relatos de aliados, Alcolumbre se reuniu com representantes do governo antes de abordar o tema publicamente no plenário do Senado, na terça-feira (9). Durante a conversa, ele teria apresentado uma série de projetos que aguardam análise na Casa e que envolvem reivindicações de diversas categorias profissionais.

O presidente do Senado não assumiu compromisso para definir um cronograma de tramitação da PEC do fim da escala 6×1 e indicou que a proposta ainda deve permanecer por mais tempo sem ser encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A avaliação de interlocutores é que Alcolumbre busca evitar que a pressão em torno de uma única pauta provoque a abertura de espaço para outras demandas com potencial de ampliar despesas públicas.

Receio de novas pressões por benefícios

Durante discurso no plenário, o senador reforçou essa preocupação ao citar que existem dezenas de propostas em tramitação relacionadas a jornadas de trabalho, pisos salariais e benefícios para diferentes categorias.

Segundo ele, a discussão não pode ser tratada de forma isolada, já que uma eventual votação pode estimular a aprovação de diversas outras matérias semelhantes.

“Eu não posso ser seletivo”, afirmou Alcolumbre ao argumentar que, em um período pré-eleitoral, a tendência dos parlamentares seria apoiar projetos populares, independentemente dos impactos financeiros que possam gerar posteriormente.

O senador também questionou se o país possui capacidade fiscal para absorver reajustes e benefícios de grande alcance sem comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Relação com o governo influencia cenário

Além das preocupações econômicas, a condução da PEC também ocorre em meio a desgastes políticos entre o comando do Senado e o governo federal.

Embora interlocutores relatem uma melhora no diálogo com integrantes da articulação política do Planalto, ainda existem ruídos na relação entre Alcolumbre e algumas lideranças governistas.

Aliados afirmam que o presidente do Senado também espera uma aproximação mais direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e demonstrou incômodo com tentativas de interlocução feitas por representantes do governo, em vez de contatos pessoais do chefe do Executivo.

Debate segue cercado de expectativas

A proposta que prevê o fim da escala 6×1 continua despertando forte interesse entre trabalhadores e setores da sociedade que defendem mudanças nas relações de trabalho. Ao mesmo tempo, o tema expõe os desafios de equilibrar demandas sociais, impactos econômicos e articulações políticas dentro do Congresso Nacional.

Enquanto o Senado adota uma postura de cautela, a discussão permanece aberta e deve continuar mobilizando diferentes grupos nas próximas semanas. Mais do que uma simples mudança na jornada de trabalho, o debate reflete uma questão cada vez mais presente no país: como conciliar qualidade de vida, produtividade e responsabilidade fiscal em um cenário de profundas transformações no mundo do trabalho.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Senado

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