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Aliados de Flávio veem espaço para evitar impeachment de Moraes com “gestos” antes do 2º turno

Grupo próximo ao candidato do PL avalia que sinais de mudança de postura do ministro poderiam abrir caminho para uma composição, enquanto Rogério Marinho mantém defesa do processo.

A possibilidade de um confronto direto entre um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) e o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a ser acompanhada, nos bastidores, por diferentes alas do grupo político do candidato. Integrantes próximos à campanha avaliam que a abertura de um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes poderia ser repensada caso o magistrado dê sinais concretos de mudança de postura antes do segundo turno.

A avaliação, no entanto, não é consensual entre os aliados de Flávio. O coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), mantém uma posição mais dura em relação ao tema e já afirmou que não haverá omissão diante de eventuais crimes de responsabilidade atribuídos a ministros do Supremo. Em declarações recentes, Marinho também tratou o impeachment como uma pauta que poderá ser analisada pelo Senado.

Ala do entorno de Flávio fala em sinais de distensão

Segundo interlocutores ouvidos pela imprensa, parte do grupo próximo ao candidato considera que uma agenda de confronto permanente com o STF poderia consumir capital político de um eventual governo e dificultar a aprovação de outras pautas, especialmente na área econômica.

Nesse cenário, esses aliados avaliam que eventuais sinais de distensão teriam de aparecer antes do segundo turno. Entre as possibilidades mencionadas estão mudanças relacionadas à situação dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, uma eventual decisão de Moraes sobre a presidência do STF e posicionamentos que possam favorecer uma revisão da situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro.

São, por enquanto, hipóteses discutidas por interlocutores políticos e não compromissos anunciados pelo ministro ou pela campanha de Flávio.

Decisões recentes de Moraes entram no radar

As movimentações recentes do Supremo passaram a ser observadas com atenção pelo grupo político de Flávio. Na terça-feira (6), Moraes autorizou a progressão de regime de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como “Débora do Batom”, condenada a 14 anos de prisão pelos crimes relacionados aos atos de 8 de janeiro.

A decisão permitiu a progressão para o regime semiaberto, mas manteve Débora em prisão domiciliar, com monitoramento eletrônico, por ter filhos menores de idade. Moraes considerou, entre outros fatores, dias de remição obtidos por trabalho, estudo e leitura.

A decisão ganhou relevância política porque ocorreu no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, mas não há, nos fundamentos apresentados, indicação de que a medida esteja relacionada à disputa eleitoral.

Também veio a público nesta semana o arquivamento de investigações envolvendo o senador Marcos Do Val (Avante-ES) e os influenciadores Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio, em apurações relacionadas a suspeitas de obstrução da Justiça e incitação a crimes.

Impeachment continua no centro da estratégia

Apesar das interpretações sobre possíveis sinais de aproximação, integrantes do grupo de Flávio continuam defendendo a possibilidade de responsabilização de ministros do STF. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), por exemplo, afirmou que a nova composição do Congresso deveria priorizar o afastamento de Moraes.

A própria campanha de Flávio tem procurado apresentar o tema como uma questão institucional, evitando caracterizá-lo oficialmente como uma ação de vingança contra integrantes da Corte. Rogério Marinho, após reunião com o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que não haverá “vingança”, mas também não haverá omissão diante de eventual crime de responsabilidade.

Nos bastidores, portanto, convivem duas estratégias: de um lado, aliados que defendem a manutenção da pressão pelo impeachment; de outro, integrantes que enxergam espaço para uma saída negociada caso ocorram movimentos considerados suficientes para reduzir a tensão entre o eventual governo e o Supremo.

O cenário ainda está em construção e dependerá não apenas das decisões dos ministros, mas também da composição do Senado e das escolhas políticas que serão feitas após o segundo turno. Até lá, qualquer eventual aproximação entre os dois lados permanece no campo das avaliações e dos sinais interpretados pelos diferentes grupos envolvidos.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Alejandro Zambranar

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