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Flávio Bolsonaro confirma presença em debate da Band após Lula anunciar participação

Candidato do PL havia descartado comparecer ao encontro, mas mudou de posição em menos de 12 horas após confirmação do presidente; debate será realizado neste domingo (18) e marcará o primeiro confronto do segundo turno de 2026.

A disputa pela Presidência da República ganha mais um capítulo importante na reta decisiva do segundo turno. Depois de anunciar que não participaria do debate promovido pela Band, o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou atrás e confirmou presença no encontro deste domingo (18), após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar que também estará no confronto. A mudança de posição movimentou os bastidores das campanhas e aumentou a expectativa em torno do primeiro embate direto entre os candidatos nesta nova etapa da eleição.

A confirmação foi feita por Flávio nesta quarta-feira (14), em um vídeo publicado nas redes sociais. Na gravação, o senador associou sua decisão ao anúncio do adversário e afirmou que aguardava justamente uma definição de Lula para confirmar sua participação.

“Lula, como você é previsível, né? Bastou falar que não ia no debate da Band pra você, no minuto seguinte, falar que vai no debate. É claro que eu vou no debate. Eu só queria que você confirmasse”, declarou.

Mudança de posição ocorreu após confirmação de Lula

Na terça-feira (13), Flávio havia sinalizado que não compareceria ao debate. Durante um evento no comitê político do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o candidato do PL afirmou que a participação ainda estava sendo avaliada pela equipe de campanha.

“Não vou, não está previsto ir nesse debate domingo. Estamos analisando, quem vai dar a palavra final será minha equipe técnica, de ir no último debate”, disse na ocasião.

Pouco depois da declaração, Lula encaminhou um vídeo à Band confirmando presença no encontro e afirmando esperar que o adversário também comparecesse.

“No domingo, eu estarei no debate da TV Bandeirantes e espero que meu adversário compareça para que possamos mostrar para o povo a diferença entre os candidatos e os programas”, declarou o presidente.

O debate é promovido pela Band em parceria com o Estadão e as emissoras Cultura, Gazeta e Jovem Pan, além da plataforma YouTube. A emissora informou à CNN Brasil que, caso um dos candidatos não compareça, o púlpito ficará vazio.

Resultado apertado aumenta expectativa para o confronto

O encontro ocorre em um cenário de disputa acirrada. Com 100% das urnas apuradas no primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47,03% dos votos, o equivalente a 56,1 milhões de eleitores. Lula alcançou 45,16%, com aproximadamente 53,8 milhões de votos.

A diferença de menos de dois pontos percentuais representa a menor margem entre os dois primeiros colocados em uma eleição presidencial brasileira desde a redemocratização, conforme os dados apresentados no levantamento eleitoral.

Nesse contexto, cada aparição pública, declaração e confronto entre os candidatos ganha peso na tentativa de conquistar os eleitores que ainda não definiram seu voto ou que podem mudar de posição até a votação final.

Pressão interna e reação do PT pesaram na decisão de Flávio

A mudança de postura do candidato do PL também foi influenciada pelas críticas dentro do próprio campo bolsonarista e pela reação da campanha petista à possibilidade de Lula participar sozinho do debate.

Segundo informações de bastidores, a avaliação de aliados de Flávio era de que deixar o presidente diante de uma cadeira vazia poderia representar um risco político significativo, especialmente em um momento de intensa mobilização do PT nas ruas e nas redes sociais.

Nos últimos dias, a campanha petista ampliou as manifestações de apoio a Lula e fortaleceu sua atuação digital, com mobilizações associadas ao chamado “Exército do Lula”. Enquanto isso, integrantes da direita passaram a cobrar uma postura mais ativa da campanha de Flávio na reta final da disputa.

As críticas apontam que o candidato estaria concentrando esforços em discutir a formação de um eventual governo antes mesmo de vencer a eleição, enquanto o adversário ocupa os espaços de debate público e mobiliza apoiadores. Também há questionamentos sobre uma estratégia considerada excessivamente defensiva, baseada principalmente no antipetismo e na resposta a notícias falsas.

Entre os críticos está o jornalista Paulo Figueiredo, próximo de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Em publicação nas redes sociais, ele demonstrou insatisfação com a falta de protagonismo do candidato do PL na campanha.

“Estou escrevendo o roteiro de mais um Paulo Figueiredo Show e, como sempre, não tenho um assunto bom do Flávio Bolsonaro, um corte, uma fala boa, uma pauta dominante. É como se não existisse campanha… Alguém tem alguma sugestão? Sério”, escreveu.

A avaliação é compartilhada por outros perfis ligados à direita, que cobram uma mudança de estratégia e maior capacidade de mobilização do partido.

Episódio da Rede Globo também influencia estratégia das campanhas

A decisão de Flávio ocorre ainda sob a lembrança de um episódio recente envolvendo o debate da Rede Globo. Na ocasião, o candidato do PL havia anunciado que participaria do encontro, mas Lula informou que não compareceria.

A ausência do presidente provocou uma disputa jurídica, com a atuação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que estabeleceram condições para reduzir os efeitos políticos da cadeira vazia. As medidas acabaram levando Flávio a desistir da participação, e o debate também foi cancelado pela emissora.

O episódio passou a ser considerado relevante pelas duas campanhas na avaliação dos acontecimentos do primeiro turno. Aliados do PL sustentam que a ausência de Lula e a intervenção do Judiciário tiveram impacto favorável a Flávio. Já os petistas pretendem explorar politicamente a mudança de posição do adversário e a tentativa inicial de não comparecer ao debate da Band.

Com a confirmação dos dois candidatos, o encontro deste domingo ganha ainda mais importância para uma eleição marcada pela pequena diferença de votos e pela forte polarização política. Mais do que um confronto de discursos, será uma oportunidade para que Lula e Flávio apresentem propostas, defendam suas trajetórias e tentem convencer milhões de brasileiros. Em uma disputa tão apertada, cada palavra pode repercutir muito além do estúdio e influenciar os rumos de uma decisão que definirá o próximo presidente do Brasil.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/CNN Brasil

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