Ventos transportam poluentes até Rondônia e qualidade do ar já é considerada prejudicial para grupos sensíveis; Amazonas registrou aumento de 271% nos focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro.
Uma camada de fumaça voltou a encobrir Porto Velho e acendeu o alerta para os riscos à saúde da população. Embora os incêndios que provocam o fenômeno estejam concentrados principalmente no Amazonas, os efeitos já são sentidos na capital rondoniense, onde a qualidade do ar apresenta níveis preocupantes. Crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos da poluição.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os ventos que atuam na região transportam a fumaça dos incêndios no Amazonas em direção a Rondônia. O cenário é agravado pela estiagem, pela baixa umidade e pela seca que também atinge o Rio Madeira.
Qualidade do ar preocupa e fumaça se espalha pela região
A empresa suíça IQAir, responsável pelo monitoramento da qualidade do ar em diferentes países, registrou índice de 120 em Porto Velho. A classificação indica condições prejudiciais especialmente para grupos sensíveis, que podem apresentar sintomas respiratórios mesmo diante de exposições relativamente curtas.
Imagens de satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram o Amazonas como uma das principais áreas de concentração da fumaça, que se espalha em direção a municípios vizinhos, incluindo a capital de Rondônia.
Os dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) revelam a dimensão do problema. Nos dez primeiros dias de outubro, o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, número que representa um crescimento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025.
Prefeitura orienta população a redobrar cuidados
Diante da combinação entre fumaça e baixa umidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema) recomenda medidas preventivas para reduzir os impactos da poluição sobre a saúde.
Entre as principais orientações estão:
- Beber bastante água ao longo do dia;
- Utilizar máscaras de proteção, especialmente pessoas com doenças respiratórias;
- Manter os ambientes umidificados, utilizando toalhas molhadas ou recipientes com água;
- Evitar atividades que provoquem exposição excessiva à fumaça;
- Não realizar queimadas de qualquer natureza.
O prefeito Léo Moraes destacou que a colaboração dos moradores é fundamental para enfrentar o problema, mesmo quando os incêndios responsáveis pela fumaça estão localizados em outros estados.
“Precisamos da colaboração de todos para enfrentar esse cenário. Mesmo quando a fumaça vem de outras regiões, podemos fazer a nossa parte, evitando queimadas, denunciando focos de incêndio e adotando cuidados para proteger a saúde, principalmente das crianças, dos idosos e das pessoas mais vulneráveis”, afirmou.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Borin, também reforçou a importância da participação da população e da prevenção.
“A fumaça que chegou à nossa cidade vem de incêndios em outros estados, mas aqui também temos um papel a cumprir. Pedimos que as pessoas evitem qualquer tipo de queimada, redobre os cuidados com a saúde, especialmente com crianças e idosos, e denuncie focos de incêndio. Com o apoio de todos, vamos reduzir os impactos e proteger nossa cidade”, declarou.
Focos de incêndio diminuíram em Porto Velho
Apesar da fumaça que atinge a capital, os registros de incêndios no município apresentam redução em comparação aos anos anteriores.
Segundo dados do Programa Queimadas, do Inpe, Porto Velho contabilizou 1.013 focos de incêndio entre janeiro e o início de outubro de 2025. No mesmo intervalo de 2026, foram registrados 680 focos, uma queda de 32,8%.
A Prefeitura também destaca que, na comparação entre 2024 e 2025, houve redução de 60% na poluição atmosférica da capital, conforme os dados apresentados pelo município com base no monitoramento do Inpe.
Em 2024, a situação foi especialmente grave em razão de eventos climáticos extremos, incluindo a influência do El Niño, que contribuiu para uma estiagem intensa e aumentou o risco de incêndios florestais. Naquele período, Porto Velho enfrentou dias de intensa fumaça, com prejuízos à qualidade do ar, ao meio ambiente, à navegação no Rio Madeira e à saúde dos moradores.
Fiscalização e prevenção buscam evitar novos impactos
Mesmo com a redução dos focos de calor registrados na capital, as condições climáticas continuam exigindo atenção. A influência do El Niño, associada às temperaturas elevadas e à possibilidade de prolongamento da baixa umidade, pode agravar o cenário ambiental.
Para enfrentar o problema, a administração municipal informa que intensificou ações de fiscalização, conscientização, vistorias e prevenção, além da contratação de uma organização especializada no combate a incêndios.
A Prefeitura afirma que continua monitorando a qualidade do ar e os focos de incêndio na região.
Saiba como denunciar queimadas em Porto Velho
Moradores podem comunicar queimadas, descarte irregular de resíduos e outras práticas que possam provocar incêndios pelos seguintes canais:
- WhatsApp: (69) 98423-4092.
- Atendimento presencial: Rua General Osório, nº 81, Centro.
- Horário: das 8h às 14h.
A fumaça que hoje encobre Porto Velho é um lembrete de que os problemas ambientais não respeitam fronteiras. Mesmo com a redução dos focos de incêndio na capital, a população continua exposta aos efeitos de queimadas que avançam pela Amazônia. Mais do que números e alertas, o cenário exige consciência coletiva, fiscalização e responsabilidade. Proteger as florestas também significa proteger o ar que respiramos, a saúde das famílias e o futuro das próximas gerações.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Secom PMPV













