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Eleições de 2028 já movimentam aliados de Lula e Tarcísio na disputa pela Prefeitura de São Paulo

Grupos políticos começam a desenhar possíveis candidaturas para a capital paulista. Direita busca um nome alinhado ao governador, enquanto a esquerda aposta no desempenho eleitoral de Lula em 2026 para fortalecer seu projeto de retomada da prefeitura.

Mesmo com a próxima eleição municipal ainda distante, os bastidores da política paulista já começam a ganhar movimentação. Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) iniciaram articulações de olho na Prefeitura de São Paulo em 2028. A disputa promete colocar novamente frente a frente dois importantes campos políticos do país, em uma eleição que poderá influenciar os rumos das forças partidárias no maior colégio eleitoral brasileiro.

No campo da direita, a principal preocupação é construir uma candidatura competitiva e com proximidade política com Tarcísio. Já as lideranças da esquerda demonstram otimismo após o resultado das eleições de 2026, avaliando que o desempenho de Lula na capital e em municípios da região metropolitana abriu uma oportunidade para fortalecer uma candidatura do grupo.

Direita ainda não tem consenso sobre sucessão de Ricardo Nunes

Entre os aliados de Tarcísio e o grupo do prefeito Ricardo Nunes (MDB), ainda não existe entendimento sobre quem deverá representar a direita na disputa municipal.

Integrantes do entorno do governador defendem que o próximo candidato tenha ligação direta com Tarcísio, mas não necessariamente seja o nome preferido ou escolhido por Nunes. A intenção é garantir protagonismo ao grupo político do governador na construção do projeto eleitoral.

O resultado das eleições deste ano também entrou no cálculo das lideranças. Apesar de mobilizar aliados e intensificar sua atuação na região metropolitana em apoio a Flávio Bolsonaro (PL), Nunes viu Lula ampliar sua vantagem na capital paulista e conquistar vitórias em municípios da Grande São Paulo.

Na avaliação de setores da direita, esse cenário enfraqueceu politicamente o prefeito e pode alterar o equilíbrio de forças na escolha de seu sucessor.

Esquerda vê oportunidade após desempenho eleitoral de Lula

Do outro lado, lideranças da esquerda consideram que o resultado de 2026 criou condições mais favoráveis para a construção de uma candidatura competitiva em São Paulo.

O desempenho de Lula na capital e na região metropolitana é interpretado como um sinal de que o campo progressista poderá chegar fortalecido à próxima disputa municipal.

As articulações também passam pelas escolhas administrativas dos próximos governos. A definição dos nomes que ocuparão os ministérios do governo federal e as secretarias estaduais de São Paulo poderá considerar o cenário eleitoral de 2028.

A avaliação nos bastidores é que cargos de maior visibilidade podem ampliar a projeção pública de possíveis candidatos, oferecendo espaço político e administrativo para fortalecer futuras candidaturas.

Veja os nomes cotados para a Prefeitura de São Paulo em 2028

Embora ainda não existam candidaturas oficialmente definidas, diferentes nomes já aparecem nas conversas políticas dos dois campos.

Direita

No grupo ligado ao atual prefeito Ricardo Nunes, três integrantes de sua equipe são mencionados pelo próprio chefe do Executivo municipal:

  • Fabrício Cobra: integrante da equipe de Ricardo Nunes e citado entre as possíveis opções para a sucessão.
  • Edson Aparecido: também aparece entre os nomes considerados pelo atual prefeito.
  • Sidney Cruz: apontado por fontes como o favorito de Nunes para disputar a prefeitura.

O bolsonarismo também poderá buscar uma candidatura própria. Nesse cenário, aparece o nome do vice-prefeito Mello Araújo (PL). Ainda não está definido se ele seria uma alternativa dentro do grupo de Nunes ou se poderia entrar na disputa sem o apoio do prefeito. Nos bastidores, aliados relatam que os dois não mantêm uma relação política alinhada.

Fora desse núcleo, outros nomes também são mencionados nas articulações da direita:

  • Rodrigo Garcia (Republicanos);
  • Guilherme Derrite (PP);
  • Ricardo Salles (Novo).

Esquerda

No campo progressista, quatro nomes aparecem entre as possibilidades para a disputa municipal:

  • Luna Zarattini (PT): vereadora na Câmara Municipal de São Paulo e eleita deputada federal.
  • Guilherme Boulos (PSOL): ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República.
  • Tabata Amaral (PSB): deputada federal por São Paulo.
  • Simone Tebet (PSB): ex-ministra do Planejamento e Orçamento.

Disputa municipal pode redesenhar forças políticas

A corrida pela Prefeitura de São Paulo começa a ser construída muito antes do calendário oficial das eleições. A escolha de um candidato competitivo, a formação de alianças e a capacidade de transformar resultados eleitorais em força política serão determinantes para os dois grupos.

Para Tarcísio, a sucessão municipal representa uma oportunidade de consolidar sua influência na capital paulista. Para Lula e seus aliados, pode significar a chance de ampliar o espaço da esquerda em uma cidade estratégica para o cenário nacional.

Em uma disputa que vai muito além da administração municipal, São Paulo volta a ocupar posição central no tabuleiro político brasileiro. Os nomes ainda são tratados como possibilidades, mas as movimentações já indicam que a batalha de 2028 começou nos bastidores, e cada escolha feita agora poderá ter reflexos importantes no futuro político do país.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Presidência da República e Governo de São Paulo

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