Especialistas sugerem medidas estruturais do lado da despesa para equilibrar contas públicas e reduzir pressão fiscal
A estratégia fiscal adotada pelo governo federal tem sido alvo de críticas crescentes por parte de economistas, analistas de mercado e representantes do setor produtivo. O principal ponto de discordância: o foco quase exclusivo em aumentar a arrecadação, sem atacar de frente o problema dos gastos públicos.
Nos últimos meses, a equipe econômica tem anunciado uma série de pacotes para tentar cumprir as metas fiscais previstas no novo arcabouço. No entanto, todas as medidas mais recentes: como o aumento da carga tributária sobre setores específicos, reforçam uma política arrecadatória, deixando de lado soluções estruturais do lado da despesa.
A crítica voltou com força após o governo apresentar propostas para compensar o recuo no aumento do IOF. Entre elas estão o fim da isenção de impostos para títulos de crédito como LCI e LCA, que passariam a ter uma alíquota de 5% de Imposto de Renda. Além disso, o governo quer unificar a alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido), eliminando a faixa reduzida de 9% paga por fintechs e aproximando-a das alíquotas praticadas sobre bancos (15% a 20%).
Para especialistas, essas medidas são paliativas e não resolvem o problema de fundo. Eles defendem que o ajuste fiscal de verdade passa por rever despesas obrigatórias e reavaliar políticas públicas que, há anos, pressionam o orçamento.
Entre as propostas mais citadas por economistas estão:
• Revisão da política de valorização do salário mínimo acima da inflação, que tem impacto direto sobre benefícios previdenciários e assistenciais;
• Avaliação de programas sociais, com foco na eficiência do gasto e no alcance de resultados concretos;
• Redução de subsídios ineficientes e gastos tributários, que consomem uma fatia considerável do orçamento sem retorno proporcional.
Apesar da resistência política para mexer em temas sensíveis, os analistas alertam que insistir apenas na arrecadação pode agravar o quadro fiscal e comprometer a credibilidade do governo junto ao mercado.
“Ao priorizar sempre o lado da receita, o governo se arrisca a perder apoio político e popular. A sociedade já sente no bolso o peso da carga tributária. Sem cortes de gastos, não há ajuste fiscal sustentável”, resume um economista ouvido pela reportagem.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













