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Bolsonaro troca Marcha para Jesus por articulação política em Goiás, enquanto Tarcísio e Lula disputam espaço com evangélicos em SP

Ex-presidente mira alianças para 2026; governador de SP ganha protagonismo na Marcha e Lula tenta se aproximar da comunidade com carta enviada ao evento

Enquanto milhares de fiéis tomavam as ruas de São Paulo na tradicional Marcha para Jesus, na última quinta-feira (19), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu mudar de rota e apostar no interior de Goiás. De olho nas eleições de 2026 e na formação de um bloco mais forte no Senado, Bolsonaro preferiu reforçar alianças políticas ao lado do governador Ronaldo Caiado (União Brasil) e de lideranças locais.

A decisão de faltar à Marcha, onde sempre teve presença de destaque, causou estranhamento entre aliados evangélicos, mas reforça a estratégia do ex-presidente: construir palanques regionais que ampliem o poder da oposição no Congresso, especialmente na Casa Alta. Segundo fontes próximas, a meta é ter musculatura suficiente para pautas como um eventual pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no futuro.

A movimentação em Goiás também envolveu conversas com o vice-governador Daniel Vilela (MDB) e sinalizações para possíveis alianças com o União Brasil e o próprio MDB, mesmo que os nomes lançados ao Senado não sejam do PL. Essa articulação, no entanto, tem gerado ruídos entre bolsonaristas mais fiéis em Goiás, como o deputado federal Gustavo Gayer e o vereador Major Vitor Hugo.

Tarcísio brilha na Marcha e evita polarização política

Enquanto Bolsonaro articulava longe de São Paulo, quem ganhou protagonismo na Marcha para Jesus foi o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Vestindo uma bandeira de Israel e sob aplausos da multidão, Tarcísio participou da caminhada, cantou no trio elétrico e subiu ao palco ao lado de autoridades como o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o ministro do STF, André Mendonça.

Durante seu discurso, o governador preferiu não entrar em temas diretamente políticos e optou por uma fala com forte tom religioso, pedindo “reconciliação”, “perdão” e “avivamento espiritual”. Ainda assim, deixou escapar algumas indiretas: falou em libertar a nação da “idolatria” e da “corrupção”, o que foi interpretado por parte da plateia como um recado sutil ao governo federal.

Tarcísio também é visto nos bastidores como um dos nomes mais fortes da direita para disputar a Presidência da República em 2026, caso Bolsonaro fique inelegível.

Lula adota tom conciliador e envia carta aos evangélicos

Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que preferiu passar o dia na Granja do Torto, foi representado na Marcha pelo advogado-geral da União, Jorge Messias. Evangélico e com status de ministro, Messias fez uma breve participação no palco com discurso estritamente religioso. Logo depois, entregou aos organizadores uma carta assinada por Lula.

No texto, o presidente destacou que sancionou, em 2009, a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus e fez uma saudação à comunidade evangélica, reforçando valores como compaixão, misericórdia e respeito às diferenças.

“Desejo a todos uma Marcha abençoada, guiada pelo Espírito Santo, e que siga levando a luz da fé por todo o país, inspirando cada brasileiro e cada brasileira a crer num Brasil mais justo, menos desigual e mais democrático”, escreveu Lula.

A aproximação com o público evangélico é vista como estratégica pelo Palácio do Planalto, principalmente diante das últimas pesquisas que apontam alta taxa de rejeição ao governo dentro desse segmento religioso, que hoje representa cerca de 27% da população, segundo o Censo.

Entre palanques, alianças e fé

A Marcha para Jesus de 2025 acabou se transformando, mais uma vez, em um palco político-religioso que vai muito além da fé. Enquanto Lula busca abrir um canal com os evangélicos, Tarcísio consolida seu nome como liderança da direita e Bolsonaro, mesmo longe, segue costurando nos bastidores os seus próximos passos rumo a 2026.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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