Bolsonaristas reconhecem irritação do agronegócio e temem isolamento político.
Nos bastidores, aliados de Jair Bolsonaro (PL) já admitem que a decisão de Donald Trump de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros está gerando desgaste para o ex-presidente, especialmente junto ao agronegócio; setor historicamente alinhado ao bolsonarismo.
Apesar da tentativa pública de transferir a responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), integrantes da base bolsonarista reconhecem que a postura adotada por Bolsonaro e seu filho Eduardo (PL-SP) não repercutiu bem entre produtores rurais e empresários do setor exportador. De acordo com fontes ouvidas pela CNN, críticas têm circulado nos grupos de WhatsApp do agro, sinalizando uma queda de apoio neste momento.
Um deputado bolsonarista ligado ao setor rural disse, sob reserva, que a medida de Trump foi vista como uma “atitude contra o Brasil”, e que a tentativa de politizar a anistia dos envolvidos no 8 de janeiro em troca da suspensão da tarifa causou irritação generalizada. “O apoio ao Bolsonaro entre produtores está minoritário agora”, afirmou.
Outro parlamentar de direita avalia que faltou empatia de Bolsonaro com os setores econômicos afetados pela nova tarifa; especialmente os que exportam produtos básicos como carne, suco de laranja e celulose, que representam boa parte da pauta brasileira para os EUA.
O episódio também causou desconforto em círculos ligados ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que mantém vínculos com o setor produtivo e busca preservar uma imagem de equilíbrio diante de temas sensíveis da economia.
Com a aproximação das eleições nos EUA e os desdobramentos da crise comercial, aliados de Bolsonaro temem que o ex-presidente acabe ainda mais isolado politicamente, caso o setor agropecuário, base crucial do bolsonarismo, siga demonstrando insatisfação.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













