Preocupação cresce na base governista com ausência do presidente nas redes sociais às vésperas das eleições de 2026
Parlamentares e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) têm manifestado crescente preocupação com a baixa presença digital do chefe do Executivo, especialmente em um momento estratégico para a reconstrução do engajamento da esquerda nas redes sociais. A crítica interna aponta que Lula está perdendo a oportunidade de dialogar com o público jovem e ampliar sua influência no ambiente digital, cada vez mais decisivo para a formação de opinião.
No início de sua gestão, quando o marqueteiro Sidônio Palmeira assumiu a Secretaria de Comunicação Social (Secom), Lula chegou a protagonizar vídeos mais informais e descontraídos; prática que acabou abandonada com o tempo. Atualmente, os perfis oficiais do presidente nas redes sociais estão restritos a conteúdos institucionais, como cortes de entrevistas e registros de cerimônias e discursos públicos, em tom distante do dinamismo que o meio exige.
A avaliação de líderes petistas é que o presidente deveria explorar mais o formato de vídeos curtos, com linguagem direta e popular, principalmente em pautas nas quais a esquerda vem ganhando força, como a defesa da taxação dos super-ricos. “É uma oportunidade clara de mostrar que o governo está do lado da maioria. Mas o presidente precisa aparecer para dizer isso, falar com a base que o elegeu”, disse à CNN um deputado ligado à comunicação do partido.
Aliados também sugerem que Lula se inspire no vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que tem utilizado uma linguagem mais ágil e leve nas redes, com maior aceitação entre os internautas. Há ainda quem defenda que o presidente volte a marcar presença em manifestações populares, como as que têm sido organizadas pela base progressista.
Um exemplo foi a mobilização da esquerda na Avenida Paulista, na última quinta-feira (10), que, segundo levantamento da USP, reuniu mais pessoas do que o último ato convocado pela direita, com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para a base petista, esse tipo de evento é um termômetro claro de que há espaço para Lula reconectar-se com o eleitorado mobilizado, mas isso exige maior empenho pessoal do presidente.
Com as eleições de 2026 se aproximando, a ausência de Lula no front digital é vista como um risco de desgaste acumulado, especialmente diante de adversários que dominam as redes e se comunicam com naturalidade no ambiente online. Petistas têm reforçado que não basta governar bem, é preciso comunicar bem.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













