Ministro do STF repreende defensor de ex-assessor de Bolsonaro por tentar interromper sessão de oitivas no processo da trama golpista.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou um momento de tensão durante a sessão desta segunda-feira (15), ao repreender o advogado Jeffrey Chiquini, defensor do ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), Filipe Martins, e do tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo.
A discussão ocorreu durante a oitiva das testemunhas de acusação indicadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no processo que investiga a suposta tentativa de golpe de Estado. Chiquini reclamou do volume de documentos disponibilizados às defesas e do tempo que os advogados tiveram para analisá-los.
“É humanamente impossível que exerçamos um contraditório, uma defesa eficaz desse ato”, argumentou o advogado.
A fala provocou reação imediata de Moraes, que afirmou que o tema já havia sido debatido em sessões anteriores. Quando Chiquini tentou insistir no assunto, o ministro interveio com firmeza:
“Doutor, enquanto eu falo o senhor fica quieto. Não vamos tumultuar, doutor. Nós vamos seguir normalmente a instrução, assim como já fizemos, porque, repito, o pacto foi imputado com base nesse material”, declarou Moraes.
Nesta fase do processo, são ouvidas as testemunhas de acusação apresentadas pela PGR. Também depõe, como informante, o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que firmou acordo de colaboração premiada. A oitiva de Cid será comum às três ações em andamento e será exibida na Primeira Turma do STF.
As audiências das testemunhas de defesa do núcleo 2 estão marcadas para ocorrer entre os dias 15 e 21 de julho, com sessões abertas ao público na sala da Primeira Turma.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













