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Partidos repudiam sanção dos EUA contra ministros do STF e falam em ataque à soberania

Siglas de esquerda e centro denunciam ingerência política de Washington após suspensão de vistos de oito ministros da Corte brasileira.

Sete partidos políticos brasileiros divulgaram nesta semana uma nota conjunta em repúdio à decisão dos Estados Unidos de revogar os vistos de entrada de oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Para as siglas, a medida representa um “gesto indevido, agressivo e sem precedentes” nas relações diplomáticas entre os dois países.

Assinam o documento PT, PSB, PDT, PSOL, PCdoB, Partido Verde e Cidadania: legendas que compõem a base governista ou orbitam em torno do campo democrático. Segundo o texto, a ação do governo norte-americano “torna-se ainda mais grave por sua manifesta motivação política, configurando uma ingerência espúria no processo democrático brasileiro e um ataque à soberania nacional”.

A decisão foi anunciada pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no último dia 18. Em publicação feita no X (antigo Twitter), Rubio afirmou que os vistos de Alexandre de Moraes, “seus aliados e familiares imediatos” estavam suspensos, citando que a medida segue diretrizes do presidente Donald Trump, que promete punir autoridades estrangeiras acusadas de “censura à expressão protegida nos Estados Unidos”.

Segundo fontes do governo brasileiro, os alvos das sanções incluem:

  • Luís Roberto Barroso, presidente do STF
  • Edson Fachin, vice-presidente do STF
  • Dias Toffoli, ministro do STF
  • Cristiano Zanin, ministro do STF
  • Flávio Dino, ministro do STF
  • Cármen Lúcia, ministra do STF
  • Gilmar Mendes, ministro do STF
  • Paulo Gonet, procurador-geral da República

Na nota conjunta, os partidos também expressam “irrestrita solidariedade aos ministros do STF” e reafirmam seu compromisso com a defesa da soberania nacional e das instituições democráticas do país.

Em meio à repercussão, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, afirmou que trata a situação com “importância”, mas preferiu não comentar o mérito da suspensão. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi mais direto: classificou a medida como “arbitrária e completamente sem fundamento”.

“Minha solidariedade e apoio aos ministros do Supremo Tribunal Federal atingidos por mais uma medida arbitrária e completamente sem fundamento do governo dos Estados Unidos”, disse Lula em nota oficial no sábado (19).

O episódio eleva a tensão entre os dois países e escancara o uso da diplomacia como extensão do embate político internacional, em meio ao cenário de polarização que se acirra com a aproximação das eleições americanas e os desdobramentos do caso Bolsonaro no Brasil.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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