Deputados da oposição teriam deixado a Mesa Diretora por receio de punição regimental, segundo aliados do presidente da Câmara.
Na noite de quarta-feira (6), deputados da oposição decidiram desocupar a Mesa Diretora da Câmara após uma reunião no gabinete do ex-presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL). A informação, revelada inicialmente pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, foi confirmada pela CNN Brasil com duas fontes presentes no encontro.
Estiveram presentes na reunião os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Elmar Nascimento (União-BA), Antonio Britto (PSD-BA), Dr. Luizinho (PP-RJ), Mendonça Filho (União-PE) e Marco Feliciano (PL-SP), além de Lira. No entanto, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), não participou do encontro.
Decisão motivada pelo receio de punições
Aliados próximos a Hugo Motta afirmam que a saída dos deputados da Mesa não foi resultado de um acordo formal, mas sim de uma decisão motivada pelo temor de sanções regimentais, como a suspensão do mandato por até seis meses prevista no regimento da Casa.
Essa versão explica o recuo de parlamentares como Sóstenes Cavalcante, que inicialmente assumiu uma postura mais firme, mas depois esclareceu que o presidente da Câmara não assumiu compromissos de pauta com a oposição, apenas com os líderes partidários.
Hugo Motta nega aval ao acordo
Na quinta-feira (7), Hugo Motta desmentiu ter dado aval ou fechado qualquer tipo de acordo com os deputados de oposição que ocuparam a Mesa Diretora. Segundo ele, as negociações seguem restritas à interlocução oficial com líderes partidários, mantendo o foco na manutenção da ordem e do funcionamento da Casa.
Box: Punições regimentais na Câmara
- O regimento da Câmara prevê suspensão cautelar de mandato por até seis meses para deputados que “tenham por finalidade impedir ou obstaculizar as atividades legislativas”.
- A Mesa Diretora tem autonomia para aplicar essas sanções, como forma de garantir o regular funcionamento dos trabalhos parlamentares.
- O receio de punições tem sido fator decisivo para parlamentares recuarem em ações de obstrução e protesto.
Essa movimentação reforça o cenário tenso e delicado no Congresso, em meio às disputas políticas que envolvem a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro e a polarização crescente entre os Poderes. A articulação política segue como peça fundamental para evitar novos episódios de conflito que possam comprometer o funcionamento da Câmara dos Deputados.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













