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Alcolumbre recusa pautar impeachment de Moraes: “não é questão meramente numérica”

Senador reforça prerrogativa constitucional e exige avaliação jurídico-política, mesmo com 41 assinaturas.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), está sob forte pressão de parte da oposição para pautar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes (STF), após a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro e a ocupação do plenário pelos aliados do ex-presidente. Mesmo com o apoio de 41 senadores; o mínimo necessário para iniciar o processo, Alcolumbre ressaltou que a decisão não depende apenas do número, mas de uma análise responsável e fundamentada.

A posição de Alcolumbre

Em entrevistas recentes ao G1 e declarações à imprensa, Alcolumbre enfatizou que “não estamos diante de uma questão meramente numérica, mas de uma avaliação jurídico-política que envolve justa causa, prova, adequação legal e viabilidade”.Segundo ele, a prerrogativa de pautar o pedido de impeachment é exclusiva da Presidência do Senado e, até o momento, ele não pautará o tema; mesmo “com 81 assinaturas”.

Contexto político e jurídico

O regimento interno e a lei que rege o impeachment respaldam essa postura. O artigo 46 do regimento estabelece que cabe ao presidente do Senado despachar requerimentos, incluindo os que tratam de crime de responsabilidade. Já a Lei 1.079/1950 determina que, mesmo com as assinaturas necessárias, o presidente da Casa deve decidir sobre o prosseguimento e essa decisão não cabe recurso.

Na opinião do líder do MDB, senador Eduardo Braga, “não é o número de assinaturas que estabelece se o impeachment deve ou não ser aberto, e sim o embasamento jurídico”.

A repercussão

A resistência de Alcolumbre acende o debate sobre os limites do poder institucional e o equilíbrio entre exigência política e responsabilidade jurídica. Para aliados de Bolsonaro, o movimento reforça o sentimento de frustração e mobilização eleitoral para 2026; para parte da sociedade, representa a importância de preservar os freios legislativos mesmo sob clima político intenso.

Apesar da pressão intensa da oposição, que celebrou as 41 assinaturas como uma “vitória do povo brasileiro”, a decisão de pautar ou não o processo continua distante de consenso. Alcolumbre insiste que o Senado não pode ser refém de pressões políticas, mantendo seu papel como guardião da institucionalidade.

A próxima movimentação política dependerá, além dos avanços jurídicos, de como o ambiente político e as lideranças reagirão às tensões entre os poderes, em um momento em que o clima institucional do país é marcado por alta fragilidade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação

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